Abbas pede pressa à ONU sobre adesão e recusa proposta de paz do Quarteto

Presidente da Autoridae Palestina diz que plano não tem como base as fronteiras anteriores a 1967

Gustavo Chacra, Correspondente de O Estado de S.Paulo

24 Setembro 2011 | 23h46

NOVA YORK - O presidente da Autoridade Palestina (AP), Mahmoud Abbas, indicou ontem que rejeitará um projeto de plano de paz elaborado por mediadores internacionais e também pediu uma revisão dos termos econômicos dos Acordos de Oslo, assinados há 18 anos.

Apresentada na noite de sexta, a proposta do Quarteto - formado por EUA, União Europeia, ONU e Rússia - é inaceitável, segundo o líder palestino, pois não exige que Israel contenha as construções nos assentamentos nem inicie as negociações com base nas fronteiras anteriores a 1967, quando israelenses ocuparam terras palestinas.

Abbas disse esperar que o Conselho de Segurança termine de estudar o pedido palestino de ingresso na ONU como membro pleno em poucas semanas. "Estamos falando em semanas, não meses", disse o presidente da Autoridade Palestina a jornalistas no avião que o levava de volta à Cisjordânia, após ele apresentar na sexta-feira à Assembleia-geral da ONU a proposta de reconhecimento do Estado palestino.

Amanhã, uma comissão do Conselho de Segurança começará a analisar a iniciativa palestina. Brasil, Índia, China, Rússia, África do Sul e Líbano são a favor do reconhecimento. Os EUA, contra. A Alemanha e a Colômbia devem seguir a mesma linha dos americanos. Os demais países não adotaram uma posição. Os palestinos precisam de nove dos 15 votos e sabem que podem ter apenas uma vitória simbólica, pois Washington usará o poder de veto.

Segundo diplomatas na ONU, o presidente Barack Obama usará a comunidade internacional para pressionar o premiê israelense, Binyamin Netanyahu, a fazer mais concessões aos palestinos para se chegar a um acordo.

"O plano dos palestinos na ONU deixou clara a redução da influência dos EUA no Oriente Médio", escreveu ontem Alon Ben-Meir, do conservador jornal Jerusalem Post, deixando claro que agora Israel lidará com a comunidade internacional, e não apenas com Washington.

Na viagem de volta a Ramallah, Abbas disse também que os termos econômicos dos Acordos de Oslo, denominados Acordo de Paris, precisam ser alterados porque "Israel não cumpre a parte deles". "O acordo não é justo e impõe restrições aos palestinos que impedem a economia de crescer e prosperar", afirmou.

O acordo prevê que Israel controle a alfândega e colete impostos dos palestinos. Também adota restrições ao comércio da Autoridade Palestina com outras nações. Em troca, os israelenses permitiriam que os palestinos pudessem continuar trabalhando no país. Mas apenas uma fração, de acordo com Abbas, recebe esta autorização.

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