Abbas propõe retorno do diálogo com Hamas e critica Obama

Palestino quer voltar a negociar com grupo islâmico e responde à declaração do americano sobre Jerusalém

Reuters e Efe,

04 de junho de 2008 | 16h26

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP) Mahmud Abbas propôs nesta quarta-feira, 4, o retorno das negociações com o Hamas e outras facções palestinas, após um ano de recusa no diálogo com o movimento islâmico. Abbas também respondeu aos comentários do senador americano Barack Obama, que disse que Jerusalém deve ser a capital indivisível de Israel.   Veja também: Como candidato democrata, Obama ataca o Irã e defende Israel Aumenta abuso dos direitos humanos em territórios palestinos   Em um discurso na televisão palestina, o líder palestino justificou a iniciativa como seu "desejo de manter os territórios palestinos unidos". Também respondeu aos "pedidos para regressar à situação antes de 14 de junho" de 2007, quando forças do Hamas tomaram o controle da Faixa de Gaza.   "Este diálogo deve levar a aplicação da iniciativa iemenita" de reconciliação, que foi firmada por seu movimento, Fatah e Hamas em março, mas que nunca foi posta em prática.   A proposta, aprovada pela Liga Árabe, tem sete pontos, entre os quais destacam a realização de eleições antecipadas e a volta do diálogo com base nos acordos de março de 2007, que propõem um governo de unidade nacional.   A iniciativa iemenita inclui a criação de um novo Executivo transitório de unidade nacional e a reconstrução do aparato de segurança palestino sobre uma base também nacional, sem dependência das distintas facções.   Em seu discurso, Abbas prometeu que trabalhará com os círculos diplomáticos internacionais para um "total apoio" na volta das negociações. "E, como resultado, convocar eleições legislativas e presidenciais" nos territórios palestinos, acrescentou.   Reposta do Hamas   O Hamas recebeu com satisfação o anúncio de Abbas. Taher al-Nunu, porta-voz do governo do Hamas em Gaza, disse à imprensa que o Executivo do movimento islâmico "dá boas-vindas e aceita a iniciativa."   "Agora, é necessário o apoio árabe a um diálogo global e, em segundo lugar, pôr fim às campanhas da mídia que aprofundam as disputas entre ambas partes", declarou o porta-voz.   Por último, Abbas pediu a todas as partes e "a todos aqueles que desejam unir os territórios (Gaza e Cisjordânia)" que acolham a iniciativa, para "acabar com esta situação de divisão."   Obama   Sobre a declaração de Obama sobre Israel, Abbas disse que seu discurso é "totalmente rejeitável". "O mundo todo sabe que Jerusalém Oriental foi ocupada em 1967 e nós não iremos aceitar um Estado palestino sem Jerusalém como capital."   Nesta quarta, falando pela primeira vez após declarar vitória nas prévias democratas, o presidenciável americano declarou que "qualquer acordo com o povo palestino deve preservar a identidade israelense como um Estado judeu, com segurança e fronteiras reconhecidas e armadas. Jerusalém continuará como a capital de Israel, e deve permanecer indivisível."

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