Abbas quer mais do que 'slogans' dos EUA sobre Estado palestino

Líder da ANP cobra postura mais ativa do governo americano para solução no Oriente Médio

Reuters

11 de novembro de 2010 | 13h03

RAMALLAH - O presidente palestino, Mahmoud Abbas, afirmou nesta quinta-feira, 11, que o apoio americano para a criação de um Estado palestino precisa ir além de "slogans".

 

Veja também:

especialInfográfico: As fronteiras da guerra no Oriente Médio

forum Enquete: Qual a melhor solução para o conflito?

especial Linha do tempo: Idas e vindas das negociações de paz

Abbas disse que as visões dos EUA e da Europa começaram a mudar a favor dos palestinos, mas mostrou frustração pela recente oposição americana à ideia de levar o pedido de um Estado palestino para o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

"O mundo começou a mudar. A Europa começou a mudar, a América começou a mudar", afirmou Abbas, cuja administração depende de apoio político e financeiro dos EUA e da União Europeia. "Verdadeiramente, ainda está na fase de slogans, como 'Nós apoiamos uma solução entre os dois Estados' e 'o estabelecimento de um Estado palestino faz parte do vital interesse de segurança dos EUA'," acrescentou, em discurso para relembrar o sexto aniversário da morte de Yasser Arafat.

Patrocinadas pelos EUA, as negociações de paz com o objetivo de encerrar o conflito entre Israel e palestinos, por meio da criação de um Estado palestino, estão paralisadas desde setembro, devido a uma disputa sobre a construção de assentamentos judaicos nas terras ocupadas por Israel.

As negociações tinham sido iniciadas apenas algumas semanas antes. Abbas reiterou sua oposição à retomada das conversas até que Israel interrompa toda a construção de assentamentos nas terras onde os palestinos querem fundar um Estado.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, resistiu até o momento aos pedidos internacionais de interrupção na construção dos assentamentos judaicos. As restrições que ele impôs por dez meses nas obras na Cisjordânia expiraram em setembro. O gabinete de Netanyahu é dominado por partidos que apoiam os colonos, incluindo a sua própria legenda, o Likud.

Após reiterar seu comprometimento com as negociações, Abbas disse que os palestinos estão estudando alternativas para o "processo de paz", que já dura duas décadas, caso ele não dê certo.

Uma ideia é ir ao Conselho de Segurança da ONU para assegurar o reconhecimento internacional de um Estado palestino. Segundo Abbas, os EUA descreveram tal ação como unilateral, uma visão compartilhada por Israel.

"Estamos pensando sobre isso. Ainda não começamos, mas é considerado um passo unilateral", disse Abbas. "Eles (os israelenses) estão tomando atitudes unilaterais todos os dias", acrescentou. O presidente palestino listou a expansão dos assentamentos entre suas reclamações.

Os EUA disseram que ambos os lados devem evitar medidas unilaterais que travem as negociações bilaterais, que, de acordo com os norte-americanos, são a única forma de resolver o conflito. Abbas afirmou que Obama ainda está tentando avançar na conversas de paz. "Ainda temos esperanças e ainda há uma chance", disse.

Obama, em um discurso na Assembleia Geral da ONU em setembro, afirmou que o sucesso nas negociações de paz pode levar a um acordo que permitiria um a entrada de um Estado palestino soberano para as Nações Unidas no próximo ano. Essa declaração foi amplamente coberta pela imprensa árabe.

Abbas, ao falar sobre o comentário de Obama, disse "esperar que isso não seja apenas um slogan e, quando a hora chegar, ele não diga 'Desculpa por não termos feito. Deixa para o próximo ano'". "Depois que ele disse isso nas Nações Unidas, essa é uma promessa e uma dívida em volta do pescoço dele, e ela deve ser realizada para que a Palestina se torne um Estado membro das Nações Unidas," afirmou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.