Abbas quer que Israel devolva territórios capturados em 1967

Presidente da ANP divulgou exigências para a criação da Palestina; acordo não sai sem libertação de prisioneiros

Associated Press e Efe,

10 de outubro de 2007 | 10h05

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmud Abbas, divulgou nesta quarta-feira, 10, suas reivindicações para a criação das fronteiras de um futuro Estado Palestino e exigiu a retirada israelense de todos os territórios capturados durante a Guerra dos Seis Dias (1967). O anúncio ocorre em um momento no qual equipes de negociadores israelenses e palestinos tentam desenvolver um documento que contenha uma visão conjunta para um futuro acordo de paz a tempo de uma conferência que os Estados Unidos pretendem promover no mês que vem. Como Israel tem planos de manter o controle sobre partes da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental, os comentários de Abbas parecem sinalizar que as negociações serão complicadas.  Após a Guerra dos Seis Dias, em 1967, o Estado judeu ocupou a Península do Sinai (que pertencia ao Egito), Faixa de Gaza, Cisjordânia, Jerusalém Oriental e Colinas de Golã (território sírio). Com a assinatura de tratados de paz com o Egito, Israel se retira do Sinai em 1982. Em agosto de 2005 as forças israelenses deixam a Faixa de Gaza, entregando o controle do território à ANP. Ainda assim, grande parte da Cisjordânia e Jerusalém Oriental permanecem nas mãos dos israelenses.  Numa entrevista concedida a uma televisão local, Abbas disse que os palestinos querem estabelecer um Estado independente, soberano, viável e com contigüidade territorial nos 6.205 quilômetros quadrados da Cisjordânia e da Faixa de Gaza. Esta é a primeira vez que Abbas declara a quantidade exata de terra que reivindica. "Nós temos 6.205 quilômetros quadrados de terras na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. Nós os queremos assim", comentou. De acordo com documentos obtidos pela Associated Press, os palestinos exigem toda a Faixa de Gaza, toda a Cisjordânia, Jerusalém Oriental e pequenas áreas adjacentes à Cisjordânia que eram consideradas terra de ninguém antes de 1967. Abbas enfatizou que sua reivindicação é sustentada por resoluções aprovadas pelo Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas (ONU). "Esta é nossa visão de um Estado palestino independente, com total soberania sobre fronteiras, águas e outros recursos", declarou. O governo israelense não se pronunciou sobre as declarações de Abbas. Em entrevista à rede oficial da televisão palestina que será emitida nesta noite e cuja transcrição foi divulgada na manhã desta quarta, Abbas, rejeitará "toda solução para o conflito" com Israel "que ignore um só dos assuntos substanciais ou dos direitos dos palestinos garantidos pelas resoluções internacionais". O presidente da ANP afirmou que "não haverá solução final sem a libertação de todos os presos palestinos em penitenciárias israelenses", que atualmente superam os 11 mil. "Ninguém pode nos forçar a aceitar uma solução de rendição", ressaltou Abbas, antes de rejeitar "totalmente" e qualificar de "absurda a idéia de um Estado palestino com fronteiras provisórias". Abbas disse que nas seis reuniões com o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, para preparar a conferência de paz de novembro nos Estados Unidos eles "discutiram" sobre o conflito, mas não foi firmado "acordo algum". Abbas aproveitou a entrevista para reiterar sua negativa em negociar com o movimento islâmico Hamas até que o grupo "peça perdão" por ter tomado a Faixa de Gaza, em junho, após derrotar em seis dias de confrontos as forças de segurança da ANP. O dirigente palestino desmentiu, assim, as informações da imprensa segundo as quais o Fatah estaria dialogando em segredo com o Hamas para recuperar a união nacional.

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