Abbas recebe apoio de árabes e UE na disputa por Gaza

O presidente palestino,Mahmoud Abbas, recebeu na segunda-feira o apoio de governosárabes e europeus para que assuma o controle sobre a fronteiraviolada do Egito com a Faixa de Gaza, intensificando assim suadisputa de poder com o grupo islâmico Hamas, que desde junhocontrola essa região. A fronteira de Rafah, entre Egito e Faixa de Gaza, estavapraticamente desativada desde junho, quando a União Européiaretirou seus monitores da Faixa de Gaza. Na segunda-feira, a UEdisse que cogita enviá-los de volta. O chanceler egípcio, Ahmed Aboul Gheit, deu aval à propostade Abbas de enviar suas próprias forças, treinadas pormilitares ocidentais, para vigiar a fronteira junto com osmonitores europeus. Pelo fato de o Hamas controlar a região,porém, nem a presença dos europeus nem das forças de Abbasparece iminente. Sami Abu-Zuhri, porta-voz do Hamas, reagiu com irritação àposição egípcia, qualificando a idéia de Abbas como "umaconspiração internacional liderada por Israel e com aparticipação de algumas partes regionais". "Dizemos a todas as partes que não vamos permitir o retornodas velhas condições à passagem", disse Abu-Zuhri. Centenas de milhares de palestinos entraram no Egito depoisque militantes do Hamas explodiram uma cerca na fronteira,permitindo que a população se deslocasse para comprar bens,burlando assim o bloqueio israelense sobre a Faixa de Gaza. Na segunda-feira, combatentes do Hamas colaboravam com asforças egípcias para remendar a fronteira. As passagens fronteiriças da Faixa de Gaza se tornaram oprincipal campo de batalha na disputa entre as facções Hamas eFatah, de Abbas, cuja autoridade atualmente se limita àCisjordânia ocupada. "É claro que eles devem entregar a fronteira a Abbas. Mascadê ele?", perguntava na segunda-feira o professor AhmedZaqtan, 28 anos, voltando do lado egípcio para Gaza. Antes de o Hamas assumir o controle, monitores da UEficavam postados em Rafah, graças a um acordo de 2005 com Egitoe Israel. Seu objetivo era impedir a infiltração de armas ecombatentes no território, de onde na época o Estado judeuretirara suas tropas e colonos. Em nota na segunda-feira, chanceleres da UE disseram que obloco está "pronto para considerar a retomada da sua missão demonitoramento em Rafah", desde que isso tenha aval de Abbas, doEgito e de Israel. Em Rafah, o tráfego voltou a ser a conta-gotas, em partedevido aos esforços do Egito para conter o movimento. Forças do Egito e do Hamas usaram concreto e arames parafechar dois buracos. Duas outras passagens continuam abertas,uma para entrada e outra para saída. Ambas são vigiadasconjuntamente por Egito e Hamas. (Reportagem adicional de Adam Entous e Ori Lewis emJerusalém, Wafa Amr em Ramallah, Will Rasmussen em Rafah)

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