Abbas renova aposta em diálogo de paz com Israel

Em encontro com premiê israelense, palestino concorda que investigação de Olmert não deve interferir na paz

Efe,

02 de junho de 2008 | 19h45

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, defendeu nesta segunda-feira, 2, o avanço no processo de paz com o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, embora o premiê se encontre na corda bamba por um suposto caso de corrupção, segundo fontes oficiais de Israel.   Veja também: Assessor de Abbas chama novas colônias de 'bofetada na paz' Partido deve se preparar para substituir Olmert, diz chanceler   Nesta segunda, em um encontro na residência de Olmert em Jerusalém, ambos concordaram que as dificuldades internas do chefe de governo israelense não devem frear o processo de diálogo iniciado em novembro em Annapolis, nos Estados Unidos. Na semana passada, o principal aliado do governo, o trabalhista Ehud Barak, e a chefe da diplomacia israelense, Tzipi Livni, pediram a Olmert que renuncie a seu cargo.   No entanto, Olmert e Abbas preferiram realizar nesta segunda um de seus múltiplos encontros para fechar um acordo de paz este ano, uma situação que neste momento ainda parece distante. Abbas protestou contra a decisão anunciada ontem pelo Ministério de Habitação israelense de autorizar a construção de 763 casas no assentamento judeu de Pisgat Ze'ev, no norte de Jerusalém, e de outras 121 no de Har Homa, perto de Belém, segundo as fontes.   A expansão dos assentamentos é, para o presidente palestino, "o principal obstáculo" nas negociações políticas com Israel. "Não podemos aceitar essas medidas. Achamos que será um obstáculo para a paz e dizemos ao mundo que continuar com os assentamentos nos impedirá de alcançar um acordo", disse Abbas em entrevista coletiva na cidade cisjordaniana de Ramallah com o ministro alemão de Assuntos Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, antes de seu encontro com Olmert.   Israel continua aumentando algumas de suas atuais colônias em Jerusalém Oriental e Cisjordânia, descumprindo o "Mapa de Caminho", plano de paz traçado em 2003 e que guia as atuais conversas de paz. O Estado judeu argumenta que não faz sentido deixar de construir em Jerusalém Oriental - onde não considera que haja assentamentos, mas bairros -, e naquelas colônias que dá por certo que serão suas em um eventual acordo de paz.   Já Olmert se queixou que o primeiro-ministro palestino, Salam Fayyad, tenha pedido por carta à União Européia (UE) e à Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) que revejam seus laços com Israel em protesto pela política israelense para com os palestinos, apontaram as fontes.   Como é habitual, os chefes das respectivas equipes negociadoras, o ex-primeiro-ministro palestino Ahmed Qorei, e a titular israelense de Exteriores, Tzipi Livni, participaram da primeira hora do encontro.   Depois, Olmert e Abbas se reuniram em particular por mais uma hora, enquanto dezenas de ativistas de extrema direita se agrupavam nas imediações da residência do chefe de governo para protestar contra a reunião, informa a imprensa local.   O presidente da ANP e o primeiro-ministro israelense se encontraram pela última vez no início de maio, pouco antes de Bush visitar a região em razão do 60º aniversário da criação do Estado de Israel.   Diferenças   O jornal israelense Haaretz publica nesta segunda que Abbas disse em conversas privadas recentes com funcionários israelenses que ainda existem diferenças de peso entre ambas equipes negociadoras.   O assunto no qual há um maior acordo entre as partes é a delimitação das fronteiras do futuro Estado palestino, segundo o presidente.Quanto aos refugiados palestinos, Abbas quer definir claramente o número que poderia voltar ao atual Estado de Israel, enquanto Olmert rejeita e prefere uma fórmula ambígua que permita o retorno apenas em casos excepcionais, segundo o jornal.   A reunião coincidiu com o Dia de Jerusalém, quando Israel lembra a "reunificação" da cidade, ou seja, a ocupação de sua parte leste, de maioria árabe, na Guerra dos Seis Dias de 1967.   Nesta noite, o líder israelense irá a Washington para se reunir com o presidente americano, George W. Bush. Olmert fará também um discurso diante dos membros do grupo de pressão pró-israelense, o Comitê de Assuntos Públicos Americano-Israelense (Aipac).

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