Abbas resiste a iniciar negociações diretas mesmo sobre pressão dos EUA

Palestinos exige garantias por escrito sobre fim de assentamentos e estabelecimento de fronteiras

estadão.com.br

29 de julho de 2010 | 11h03

RAMALLAH - O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, continua resistente às negociações de paz diretas com Israel, mesmo com a disposição dos EUA em apoiar o estabelecimento de um futuro Estado palestino como incentivo ao diálogo, informa nesta quinta-feira, 29, o jornal israelense Ha'aretz.

 

Abbas está em Cairo, no Egito, para participar da reunião da Liga Árabe. No encontro, os países decidirão se pressionarão ou não a ANP a negociar diretamente com os israelenses.

 

Abbas está sob pressão dos EUA e da União Europeia para retomar o diálogo direto, paralisado em 2008. Os EUA têm mediado as negociações indiretas nos últimos meses, retomadas após 18 meses de paralisação. Os palestinos só concordam em partir para as conversas diretas se Israel anunciar a interrupção completa da construção de novos assentamentos na Cisjordânia e aceitar a criação de um Estado palestino com base nas fronteiras de antes de 1967.

 

"Quando eu receber garantias por escrito sobre a aceitação das fronteiras e a paralisação da construção de colônias, partiremos para o diálogo direto imediatamente", disse Abbas nesta quinta, segundo a agência de notícias estatal egípcia.

 

O Egito, que também trabalha como mediador no conflito entre israelenses e palestinos, disse ter recebido dos EUA garantias que poderiam ajudar na retomada do diálogo direto, mas não deu mais detalhes.

 

Nesta semana, a agência Associated Press obteve um documento palestino indicando que o enviado especial dos EUA para o Oriente Médio, George Mitchell, disse que o presidente Barack Obama não poderia ajudar a ANP a estabelecer o Estado palestino se não ocorressem negociações diretas.

 

Abbas, porém, disse que antes quer ver progressos nas negociações indiretas que ocorrem sob mediação americana. O documento ainda alerta o líder palestino de que não aceitar as condições propostas pelos EUA seria um suicídio político.

 

O premiê israelense Benjamin Netanyahu, que também pressiona pelas negociações diretas, se recusou a receber condições para entrar no diálogo. Ele disse aceitar a criação do Estado palestino sob algumas condições, mas disse que não abrirá mão de Jerusalém Oriental, um dos principais enclaves da região.

 

A Liga Árabe definirá sua posição sobre as negociações diretas nesta quinta pelos dez principais membros do órgão. A decisão final será então endossada pelos chanceleres dos 22 membros do bloco. Com isso, fica aberta a possibilidade de que as queixas de Abbas possam adiar a decisão e minar até as negociações indiretas, agendadas para terminar em setembro, junto do fim da moratória parcial de assentamentos decretada por Israel.

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