Acordo com Israel em 2008 é impossível, diz premiê palestino

O primeiro-ministro palestino, SalamFayyad, disse na quarta-feira que acredita ser impossível selarum acordo de paz com Israel neste ano. As negociações sobre a criação de um Estado palestinoavançaram pouco desde seu início, em uma conferência realizadaem Annapolis (EUA), em novembro. O governo norte-americanoafirmou então que esperava ver a aprovação de um acordo antesdo fim do mandato do presidente dos EUA, George W. Bush, emjaneiro. Fayyad, no entanto, citou a construção de assentamentos porIsrael na Cisjordânia ocupada como um obstáculo ao avanço doprocesso. "Tenho a impressão de que isso equivale a assegurar, com umalto grau de certeza, que uma solução não será alcançada nesteano", disse a repórteres antes da visita a ser feita no fim desemana, à região, pela secretária de Estado norte-americana,Condoleezza Rice. Os comentários do premiê, cujo governo conta com o apoio depotências ocidentais, lembram as palavras ditas na semanapassada pelo principal negociador palestino, Ahmed Qurie,segundo o qual seria preciso um "milagre" para a assinatura deum acordo em 2008. Questionado sobre os comentários de Qurie, oprimeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, disse na semanapassada que, no turbulento Oriente Médio, "um realista é alguémque acredita em milagres". Fayyad deixou Israel furioso quando enviou uma carta àUnião Européia (UE), no mês passado, acusando o governoisraelense de "desrespeitar acintosamente" os direitos dospalestinos ao continuar construindo assentamentos judaicos naCisjordânia e ao recusar-se a desmobilizar os postos decontrole responsáveis por prejudicar o desenvolvimentoeconômico dos territórios palestinos. Israel diz que pretende manter sob controle os grandesblocos de assentamento existentes na Cisjordânia caso um futuroacordo de paz seja selado com os palestinos e que a rede depostos de controle montada no território é necessária paraevitar ataques contra os israelenses. "Mesmo se fosse possível chegar a um acordo neste ano, nãopodemos aceitar que continue a expansão dos assentamentos",afirmou Fayyad à Reuters. As negociações também foram prejudicadas por conflitosviolentos travados com o Hamas na Faixa de Gaza e por umescândalo de corrupção que ameaça colocar fim ao governo dopremiê de Israel. (Reportagem de Wafa Amr e Mohammed Assadi)

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