Acordo de trégua para Gaza fracassa e Israel volta a advertir sobre invasão

Após dia de expectativa em relação a um acordo de cessar-fogo, divergências não especificadas adiam anúncio de fim da ofensiva contra território palestino

Roberto Simon, enviado especial,

21 de novembro de 2012 | 00h03

Apesar dos esforços diplomáticos que levaram ontem a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, e o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, a Jerusalém, divergências não especificadas entre o Hamas e Israel frustraram o anúncio de um cessar-fogo na Faixa de Gaza. Numa declaração conjunta, ao lado de Hillary, o premiê israelense, Binyamin Netanyahu, reiterou preferir uma solução diplomática, mas alertou que seu país está pronto para intensificar a ofensiva.

 

O presidente do Egito, Mohamed Morsi, chegou a anunciar que a "agressão israelense" acabaria ontem, mas o governo egípcio voltou atrás horas depois. Um dos porta-vozes do Hamas, Ayman Taha, tinha informado à agência Reuters que um acordo tinha sido alcançado e as armas silenciariam a partir da meia-noite.

 

Israel, entretanto, não confirmou a informação. "Se uma solução de longo prazo puder ser colocada em prática por meio da diplomacia, Israel será um parceiro empenhado", afirmara Netanyahu.

 

Na véspera, Israel resistia a acatar uma trégua em Gaza que não representasse uma situação duradoura em relação ao fim do disparo de foguetes e mísseis desde a Faixa de Gaza na direção do sul israelense. Hillary, ao lado de Netanyahu, assegurou que o "compromisso dos EUA com a segurança de Israel é sólido como uma rocha e inquebrantável".

 

Tropas israelenses continuam às portas do território palestino. O chanceler de Israel, Avigdor Lieberman - tido como a voz mais radical no gabinete - alertou que uma eventual ofensiva terrestre será nos moldes da lançada durante a Segunda Intifada, um dos momentos mais dramáticos da história do conflito palestino-israelense. Ao receber o secretário-geral da ONU, Lieberman ainda afirmou que as pressões sobre Israel por moderação "fortalecem o Hamas".

 

Mais sangue. Em Gaza, os bombardeios por ar e mar intensificaram-se à noite após um dia de maior calma, segundo relatos de moradores do território. Em várias regiões a aviação israelense despejou milhares de avisos ordenado que civis abandonassem suas casas.

 

Dois carros em que supostamente viajavam líderes do grupo Jihad Islâmica foram alvo de bombardeios, afirmou o Exército israelense, que diz ter matado ontem outros 16 integrantes do grupo aliado ao Irã. Dois repórteres da TV do Hamas - alvo frequente durante essa ofensiva - também teriam sido mortos. A cifra de vítimas palestinas nos 7 dias de ofensiva militar ultrapassa 125, afirmam fontes médicas. Segundo o Unicef, 18 crianças de Gaza morreram em bombardeios israelenses e mais de 250 ficaram feridas. A Cruz Vermelha emitiu um alerta em razão do estado precário dos hospitais da região.

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