Acordo entre Irã e AIEA será ineficaz, prevêem diplomatas

O acordo do Irã com os inspetores daOrganização das Nações Unidas para resolver dúvidas sobre seuprograma nuclear não bastará para afastar as suspeitas de que opaís esteja desenvolvendo armas nucleares, segundo diplomatas. Eles dizem que o documento de trabalho está prejudicado poraparentemente descartar futuras investigações dos inspetores enão fazer menção a verificações mais abrangentes que a própriaONU diz serem necessárias para confirmar o suposto caráterpacífico do programa nuclear iraniano. Além disso, afirmam os diplomatas, o documento não define oque o Irã deve fazer para resolver as questões pendentes eignora a exigência da ONU para que Teerã suspenda imediatamentesuas atividades de enriquecimento de urânio. Diplomatas próximos à Agência Internacional de EnergiaAtômica (AIEA), ligada à ONU, disseram que os "entendimentos"com o Irã são um marco no sentido de estabelecer um cronogramapara que até dezembro o país se abra às inspeções, após quatroanos dificultando-as, o que levou a sanções da ONU. "É um bom plano de trabalho, com fases e datas pararesolver questões pendentes, conforme solicitado pelo conselho(de 35 países da AIEA). Os membros do conselho devem saudareste fato", disse um importante funcionário da agência àReuters. O pacto de 21 de agosto, cujo texto foi divulgado nasegunda-feira, diz que Teerã havia resolvido a primeira questãorelativa à natureza da sua atividade nuclear --experimentossecretos e em pequena escala com plutônio, o ingrediente maiscomum em armas nucleares. Os detalhes do que o Irã fez para afastar as preocupaçõescom os testes podem surgir em um novo relatório da AIEA,previsto para quarta-feira, duas semanas antes da reunião dadireção da agência. O relatório lançará luzes sobre o nível de cooperação doIrã e pode influenciar as futuras negociações entre seispotências mundiais a respeito de novas sanções ao país. Os EUAdefendem medidas mais duras, enquanto a Rússia acha que épreciso esperar uma eventual reaproximação de Teerã com a AIEA. Sob anonimato, diplomatas ocidentais criticaram o fato de oplano não exigir que o Irã faça nova adesão ao ProtocoloAdicional do Tratado de Não-Proliferação Nuclear, que permiteinspeções mais intrusivas e praticamente sem aviso prévio emlocais que não sejam declaradamente nucleares. As potências envolvidas no impasse com o Irã devido à suarecusa em cumprir as resoluções da ONU exigindo o fim dasatividades de enriquecimento dizem que, caso o Irã não volte aoProtocolo Adicional, não há como descartar o risco de que opaís mantenha uma unidade nuclear militar clandestina. Mohamed El Baradei, diretor da AIEA, vem dizendo o mesmo.Sem o Protocolo, o conhecimento internacional sobre asatividades iranianas diminuiu.

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