Acordo para trocar combustível nuclear é possível, diz Irã

Um dia após aumentar grau de enriquecimento de urânio, Teerã diz que negociação ainda pode acontecer

FREDRIK DAHL, REUTERS

10 de fevereiro de 2010 | 08h22

O Irã acredita que um acordo para a troca de combustível nuclear com o Ocidente ainda é possível, disse a televisão estatal nesta quarta-feira, um dia depois de um anúncio da República Islâmica de expansão de seu enriquecimento de urânio provocar um alerta dos Estados Unidos de que novas sanções serão impostas em breve.

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"O acordo ainda está na mesa", disse Ali Akbar Salehi, chefe da Organização Iraniana de Energia Atômica, disse à emissora Press TV, em língua inglesa.

Mas ele pareceu reiterar uma exigência iraniana de uma troca simultânea de combustível em seu território, o que potências ocidentais não aceitam. Elas querem que Teerã primeiro envie a maioria de seu urânio de baixo enriquecimento ao exterior para depois receber material altamente enriquecido em troca.

Salehi disse que o urânio iraniano pode ser lacrado e colocado sob custódia da Agência Internacional de Energia Atômica, órgão ligado à Organização das Nações Unidas, no país até que a República Islâmica receba o combustível que precisa para um reator de pesquisas médicas.

Sanções

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O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse na terça-feira que a comunidade internacional está se movendo "bastante rapidamente" na direção de impor sanções mais amplas contra o Irã, após Teerã anunciar que iniciou a produção de urânio enriquecido em 20 por cento.

Obama disse que a recusa iraniana em aceitar um acordo de troca de combustível mediado pela ONU indicava a intenção do país de construir armas nucleares, apesar da insistência da República Islâmica de que suas atividades atômicas visam somente a geração pacífica de eletricidade.

Idas e vindas

No último dia 2, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad havia afirmado que o Irã estaria disposto a enriquecer urânio fora do país, como prevê proposta feita pela AIEA em outubro, após ter rejeitado a proposta no final do ano passado.

Salehi incluiu o Brasil, a França e possivelmente o Japão entre os países que o governo do Irã aceitaria enviar urânio para ser enriquecido a 20% e, com isso, evitar suspeita sobre o possível uso militar de seu programa atômico. O Itamaraty negou qualquer contato neste sentido.

As potências ocidentais já tinham reagido com ceticismo às declarações de Ahmadinejad na semana passada. EUA, França, Reino Unido e Alemanha pediram ações concretas do Irã e uma comunicação oficial à AIEA de que o regime persa aceita a proposta de outubro.

No domingo, Ahmadinejad anunciou que enriqueceria o urânio dentro do Irã, mas que isso não impediria que o acordo com a AIEA fosse fechado.

O acordo

O acordo fechado em outubro entre o Irã, a AIEA e o grupo formado por EUA , Rússia, China, Reino Unido, França e Alemanha previa o envio de 70% do urânio com baixo índice de enriquecimento (3,5%) para a Rússia e para a França para ser enriquecido a 20%.

 

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