Acordo prevê diálogo entre Israel e ANP longe da imprensa

Equipe diz que negociações expostas geram violência; divisão de Jerusalém começa a ser discutida

Agências internacionais,

14 de janeiro de 2008 | 12h07

As equipes de Israel e da Autoridade Nacional Palestina (ANP) para as negociações de paz encerraram a reunião realizada nesta segunda-feira, 14, com um acordo para que as conversas continuem com maior discrição. No encontro, que durou mais de duas horas, as delegações lideradas pela ministra de Exteriores israelense, Tzipi Livni, e o chefe negociador palestino, Ahmed Qorei, analisaram assuntos fundamentais do conflito, como a situação de Jerusalém, a delimitação de fronteiras e a questão dos refugiados.   Livni e Qorei decidiram voltar a se encontrar em breve e manteras negociações afastadas da imprensa. "Começamos a falar sobre os assuntos mais importantes, Jerusalém, refugiados, fronteiras e assentamentos. Mas falamos em geral. As conversar foram positivas mas o caminho para uma solução ainda é difícil", disse o representante palestino.   Antes da reunião, Livni tinha afirmado que "a experiência no passado prova que as conversas mantidas em frente às câmaras causam situações extremas, provocam declarações distorcidas e elevam as expectativas, decepções e, eventualmente, a violência". "Se tivesse que escolher entre uma grande manchete todos os dias e resultados, escolho o segundo", acrescentou.   O presidente da ANP, Mahmoud Abbas, afirmou no domingo que os negociadores analisariam seis pontos, entre eles o futuro de Jerusalém e dos assentamentos da Cisjordânia, os refugiados e as fronteiras do Estado palestino.   O primeiro-ministro israelense Ehud Olmert, e Abbas decidiram retomar as negociações de paz durante a Conferência de Annapolis, nos Estados Unidos, realizada em novembro. Os líderes, que devem se reunir a cada duas semanas, terão o papel de árbitros quando houver divergências que não possam ser superadas pelas comissões lideradas por Qorei e Livni e pelos comitês de especialistas que abordarão assuntos de economia, cooperação em saúde e telecomunicações.   Ceticismo israelense   Mais cedo, durante um encontro no Parlamento israelense, Olmert afirmou que não acreditava nas possibilidades de se alcançar um acordo de paz com os palestinos. Segundo um alto funcionário do governo citado pela agência France Presse, Olmert afirmou que não está "seguro de que é possível chegar a um acordo e aplicá-lo", porém seria "pecar contra suas obrigações se não tentasse alcançá-lo".   A intensificação das negociações ameaça provocar uma crise no governo do primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert. Um de seus parceiros de coalizão ameaçou abandonar o governo caso fossem discutidos os pontos espinhosos: a soberania compartilhada de Jerusalém, as fronteiras finais e o destino dos refugiados palestinos.   O parlamentar radical israelense Avigdor Lieberman, chefe do partido Yisrael Beitenu, ameaçou deixar a coalizão. Mesmo sem as 11 cadeiras do partido, o governo de Olmert continuaria no comando de 67 das 120 cadeiras do parlamento. Mas o partido ultra-ortodoxo Shas, com 12 cadeiras, também fez a mesma ameaça se a questão de Jerusalém for discutida, o que privaria Olmert de maioria parlamentar.   Lieberman vai se encontrar na terça-feira com o primeiro-ministro para discutir o assunto. Depois do encontro, os líderes das facções vão decidir se permanecem no governo, disse Irena Etinger, porta-voz de Lieberman. O parlamentar também se opõe à promessa israelense de evacuar duas dúzias de assentamentos ilegais na Cisjordânia.   Enquanto discutem o plano de paz, Israel combate os militantes islâmicos em Gaza que lançam foguetes e morteiros. Antes mesmo do encontro dos dois negociadores, Sami Abu Zuhri, porta-voz do Hamas, pediu a Abbas que "parasse de dar o sangue e direitos palestinos de graça". "Este é um encontro fracassado que será uma fachada para ocultar os crimes de ocupação contra nosso povo", ela declarou. No parlamento, Olmert reiterou suas dúvidas de que Abbas consiga restabelecer o controle de Gaza, de acordo com um participante que não quis se identificar porque a sessão era restrita. "Não tenho certeza de que o homem que lidera a Autoridade Palestina terá poder para implementar o acordo", Olmert teria dito.   O ministro da Defesa Ehud Barak disse que uma operação em larga escala estava sendo preparada. As investidas anteriores falharam em interromper o lançamento de foguetes e causaram muitas mortes de civis palestinos. Ontem, um ataque aéreo israelense fez explodir um carro na cidade de Gaza, matando três militantes, dois de um grupo ligado ao Hamas e outro ao Fatah, disseram os palestinos.   Militares israelenses disseram que o alvo eram dois militantes envolvidos no disparo dos foguetes. Yuval Diskin, líder da agência de segurança interna israelense Shin Bet, disse ontem em reunião do governo que o Hamas introduziu clandestinamente cerca de US$ 100 milhões em Gaza nas últimas semanas, de acordo com um participante. O dinheiro foi contrabandeado por habitantes da cidade que viajaram para a Arábia Saudita para a peregrinação islâmica, disse Diskin.

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