Adversários pedem renúncia de Olmert

Oposição diz que acusações de corrupção contra premiê isralense provam que ele não está apto ao cargo

Agência Estado e Associated Press,

09 de maio de 2008 | 14h50

Adversários políticos do primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, pediam nesta sexta-feira, 9, que ele renunciasse ao cargo. Para a oposição, novas acusações de que Olmert recebeu centenas de milhares de dólares de um cidadão norte-americano mostraram que o premiê não está apto a ocupar o principal cargo público do país. Veja também:Suspeito de corrupção, premiê de Israel resiste a pressõesOlmert diz que renuncia se for indiciado por contribuição ilegal Lendo um comunicado na televisão nacional na quinta-feira, Olmert disse que renunciaria se fosse indiciado. Ele negou ter cometido algum ato ilícito no caso, que pode tirá-lo do posto e atrapalhar ainda mais as já difíceis negociações de paz com os palestinos. "Eu estou olhando vocês nos olhos e afirmo que nunca aceitei suborno, nunca peguei um centavo para mim", garantiu Olmert. Mas alguns parlamentares israelenses disseram que a nova investigação policial - a quinta a atingir o primeiro-ministro desde sua posse, em 2006 - era razão suficiente para que Olmert deixasse o cargo. Os problemas judiciais estão tirando o foco da condução do país, acusou Arieh Eldad, do linha-dura Partido União Nacional. "Um Estado como Israel, com uma ameaça à existência, precisa de um primeiro-ministro em tempo integral." A declaração de Eldad ecoou em declarações de outros políticos da oposição e em um pequeno número de parlamentares da própria base de Olmert. Shelly Yachimovich, do Partido Trabalhista, disse que a sigla "não pode permanecer na mesma coalizão de um primeiro-ministro manchado por corrupção tão profunda." A saída dos trabalhistas levaria à queda do governo e provavelmente à antecipação das eleições, inicialmente marcadas para o fim de 2010. Mas essa possibilidade ainda parece algo remota. Nem o Partido Trabalhista nem qualquer outro da coalizão indicou sua saída, mesmo com as novas acusações. A polícia suspeita que Olmert tenha recebido envelopes com centenas de milhares de dólares, durante pelo menos seis anos, quando foi prefeito de Jerusalém e ministro do Comércio. A polícia apontou o empresário Morris Talansky como o doador, em entregas pessoais ou através de terceiros. A polícia investiga agora onde o dinheiro foi utilizado. Um policial, sob condição de anonimato, falou nesta sexta-feira que a quantia parece ter "desaparecido" na direção do partido de Olmert na época, o Likud. O porta-voz da polícia, Micky Rosenfeld, disse que, se necessário, Olmert será interrogado novamente. O primeiro-ministro afirmou na quinta-feira que suas contas de campanha eram responsabilidade de um advogado chamado Uri Messer, amigo de longa data de Olmert, Messer está envolvido em outras suspeitas de corrupção contra o primeiro-ministro. Processo de paz Os problemas de Olmert ameaçam enfraquecê-lo no cargo e têm potencial de atrapalhar as negociações de paz com os palestinos. A iniciativa foi lançada em novembro, durante conferência de paz sobre o Oriente Médio realizada em Annapolis, nos Estados Unidos O negociador palestino Saeb Erekat disse que seu governo acompanha o caso com muita atenção. "Problemas internos em Israel já refletiram no passado em mais violência e em mais assentamentos", recordou Erekat. Segundo ele, com a saída de Olmert "o processo de paz ficaria em suspenso por um ano." Pesquisas de opinião apontam o favoritismo do ex-primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e de seu partido, o Likud, em uma possível eleição israelense. O Likud tem uma política bem mais dura que o Kadima, atualmente no poder, em relação a concessões territoriais aos palestinos. As negociações já enfrentam dificuldades por causa de temas como a segurança e os assentamentos israelenses. Dúvidas sobre a saúde do presidente palestino, Mahmoud Abbas, trouxeram outro elemento de incerteza para o processo de paz.

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