Adversários políticos pedem a renúncia do premiê israelense

Oposição quer que Olmert deixe cargo após documento que avaliará erros na guerra do Líbano em 2006

Efe,

29 de janeiro de 2008 | 09h11

O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, cujos adversários exigem a renúncia nesta terça-feira, 29, enfrentará um dia conturbado na quarta, quando será publicado o relatório final sobre os erros cometidos por ele e pelas Forças Armadas de seu país no conflito contra a milícia libanesa Hezbollah em 2006.   Os partidos da direita nacionalista na oposição parlamentar, presidida pelo ex-primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, líder do Partido Likud, exigem que Olmert "dê um exemplo pessoal por seus erros" e antecipe as eleições, o que deixaria em suspenso as atuais negociações de paz com o presidente palestino, Mahmoud Abbas.   Reservistas do Exército que serviram durante o conflito, e outros que consideram que as Forças Armadas não devem se envolver em assuntos políticos, participaram da intensa campanha pela renúncia de Olmert realizada nas últimas semanas.   Por causa das negociações de paz, Olmert perdeu recentemente um aliado, o líder do Partido Israel Beiteinu (Israel é nosso lar), Avigdor Lieberman, que abandonou a coalizão com 11 das 120 cadeiras do Parlamento e deixou o governo com uma frágil maioria de 67 assentos.   O atual ministro da Defesa, Ehud Barak, líder do Partido Trabalhista - com 19 cadeiras - e que há alguns meses disse que Olmert devia renunciar, está hoje sob grande pressão, já que alguns políticos exigem que ele continue no governo, enquanto outros ameaçam abandoná-lo caso faça isto.   Segundo todas as pesquisas, caso Olmert renuncie e antecipe as eleições, seu sucessor será Netanyahu, que levará com ele os partidos de direita que se opõem ao processo de paz, pois o mesmo tem como conseqüência a devolução dos territórios palestinos ocupados da Cisjordânia e dos bairros árabes de Jerusalém.   Outra alternativa é que o primeiro-ministro apresente a renúncia e o presidente Shimon Peres encomende a formação de um novo governo ao legislador "que tenha melhores possibilidades para formar uma coalizão". Neste caso, Ehud Barak poderia ser escolhido.   Por enquanto, o conteúdo da última parte do relatório elaborado pelo juiz aposentado Eliyahu Winograd e uma equipe de analistas independentes, por encomenda do governo de Olmert, era uma incógnita. Este tipo de comissão investigadora, ao contrário das judiciais, não tem atribuições para exigir a renúncia de Olmert, que já antecipou que não tem intenções de realizar isto.   Diante da pressão de seus partidários para que Barak se retire do governo, políticos próximos ao primeiro-ministro lhe atribuíam a seguinte afirmação: "Se querem isto, que saiam!" Entre os parlamentares, há quem garanta que os investigadores - que na primeira parte do relatório consideraram Olmert culpado pelos erros cometidos nos 34 dias de conflito contra o Hezbollah - concentraram-se nos erros das Forças Armadas na segunda parte. Desde o fim do conflito, as Forças Armadas foram submetidas a amplas reformas para solucionar problemas detectados neste episódio.   Os adversários de Olmert e de seu partido, o Kadima, afirmam que, se insistir em seguir à frente do governo no caso de voltar a ser acusado pela Comissão Winograd, estará menosprezando "a responsabilidade de um líder" e da democracia. Os que apóiam Olmert alegam que ele não deve renunciar para "salvar o processo de paz" que foi retomado após a Conferência de Annapolis, em novembro passado nos Estados Unidos.   O chefe das Forças Armadas durante o conflito de meados de 2006, o general Dan Halutz, e o ministro da Defesa, Amir Peretz, renunciaram a seus cargos. Por outro lado, Olmert se negou a fazê-lo, argumentando que é a pessoa adequada para corrigir os erros que possa ter cometido.

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