Afeganistão diz que só analisará impasse com FMI após as férias

O Afeganistão disse no sábado que só poderá lidar com uma preocupação chave do FMI relativa a uma pendente crise financeira, desencadeada por um escândalo de corrupção em um banco quebrado, daqui a mais de um mês por conta das férias dos parlamentares.

PAUL TAIT, REUTERS

19 de junho de 2011 | 13h55

A Reuters noticiou na sexta-feira que o Fundo Monetário Internacional (FMI) rejeitou planos do país para lidar com o falido Kabulbank e outras questões financeiras mais amplas, passo que imediatamente bloqueou o pagamento de 70 milhões de dólares em ajuda de países doadores.

Diplomatas envolvidos nas negociações entre o Afeganistão, que é dependente de assistência internacional, o FMI e doadores internacionais disseram que Cabul não respondeu adequadamente às preocupações do Fundo e agora temem uma crise de crédito já para o próximo mês.

O ministro das Finanças Omar Zakhilwal disse que o país depende de assistência para cerca de 40 por cento do seu orçamento e para a totalidade dos seus projetos de reconstrução e desenvolvimento, que somam bilhões de dólares. Ele disse que o governo dedicaria "toda a energia para chegar a um entendimento satisfatório com países doadores".

"A suspensão da assistência naturalmente causará dificuldades a um país como o Afeganistão", afirmou Zakhilwal em comunicado, a primeira reação oficial do governo após a suspensão.

"Até o momento, nossas dificuldades não causam preocupações sérias e imediatas. Peço a meus compatriotas que não sejam influenciados por propaganda negativa de parte da mídia internacional neste estágio muito crítico da nossa história."

Os salários de centenas de milhares de funcionários públicos estão sob risco, levando mais tensão e incerteza política em um momento em que forças estrangeiras começam a repassar o controle da segurança aos afegãos em um processo gradual previsto para ser concluído ao final de 2014.

Nenhum pagamento foi feito por doadores ao fundo de reconstrução do Afeganistão (ARTF), o principal veículo de ajuda internacional ao país, nos últimos três meses.

Os pagamentos foram suspensos por conta da ausência de um programa de apoio do FMI, um selo de aprovação que a maioria dos doadores precisam para obter recursos.

O FMI está revisando o programa de apoio ao Afeganistão desde setembro. O Fundo questiona a forma como Cabul tem lidado com a crise relacionada à quebra do Kabulbank e o combalido sistema financeiro do país.

O Fundo demanda que um segundo banco afegão seja auditado e também requer a aprovação de um orçamento suplementar. A questão orçamentária exige a aprovação do Parlamento, que entrou em férias de verão de 45 dias em 5 de junho. Parlamentares informaram que não há planos de antecipação do fim do recesso.

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