Afeganistão estende pleito por 1 hora para elevar participação

Comparecimento do eleitorado foi mais baixo no sul do país, onde está a base de apoio do presidente Karzai

Reuters e Associated Press,

20 de agosto de 2009 | 08h56

Foto: AP

CABUL - Milhões de afegãos foram às urnas nesta quinta-feira, 20, da eleição presidencial, apesar das ameaças de violência e de ataques esporádicos em todo o país. Autoridades estenderam a votação por mais um hora para permitir que mais pessoas participem do pleito. O comparecimento do eleitorado parece ter sido baixo, particularmente no sul do país. Porém, oficiais do governo afirmaram que mais eleitores apareceram nos postos de votação durante a tarde.

 

Dois militantes do Taleban foram mortos num tiroteio na capital, e foguetes atingiram várias cidades, principalmente no sul e leste do Afeganistão. A ONU disse, no entanto, que há sinais encorajadores de comparecimento elevado em várias áreas. "A vasta maioria das seções eleitorais conseguiu abrir e receber material de votação", disse Aleem Siddique, porta-voz da missão da ONU em Cabul. "Estamos vendo filas formando-se nas seções eleitorais do norte, também na capital e, encorajadoramente no leste."

 

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A preocupação com o baixo comparecimento às urnas é especialmente acentuada no sul, que é ao mesmo tempo reduto do Taleban e de Karzai. Ahmad Wali Karzai, meio-irmão do presidente e chefe do conselho provincial de Kandahar (sul), disse à Reuters que há forte movimento nas seções eleitorais da região, apesar das ameaças de violência. "Um foguete caiu perto da minha casa, matando um menininho e ferindo sua mãe gravemente", disse ele por telefone. "Mas, apesar de todos esses alertas, as pessoas não ouvem o Taleban. O povo de Kandahar está acostumado à guerra."

 

O presidente Hamid Karzai votou sob rígida segurança num colégio perto do palácio presidencial. Ele disse a jornalistas que seria "do interesse da nação" que o pleito se resolvesse no primeiro turno. Mas as pesquisas sugerem uma boa votação do ex-chanceler Abdullah Abdullah, o que levaria à realização de um segundo turno em outubro. Os resultados preliminares devem levar pelo menos duas semanas.

 

A eleição também serve de teste para o presidente Barack Obama, que enviou cerca de 30 mil soldados adicionais ao Afeganistão como parte de sua estratégia para conter o Taleban. O enviado especial de Obama à região, Richard Holbrooke, visitou seções eleitorais em Cabul e disse que a votação vista por ele foi "aberta e honesta." "Até agora, todas as previsões de um desastre se provaram erradas", afirmou o diplomata.

 

Tiroteio em Cabul

 

Enquanto ele dava essas declarações, militantes e forças do governo travavam um tiroteio na capital. O comandante policial Abdullah Uruzgani disse que dois dos insurgentes foram mortos. O Taleban havia prometido perturbar a eleição, intensificando ataques na semana passada, inclusive na capital. A guerrilha havia dito antes do pleito que infiltrara 20 militantes suicidas em Cabul e que fecharia todas as estradas do país.

 

Bill Gallery, diretor da entidade Democracy International, disse que alguns de seus monitores no sul ficaram "surpresos por quanta gente está comparecendo". "Excedeu as expectativas deles", afirmou, ressalvando que ainda é cedo para tirar conclusões relativas à participação do eleitorado.

 

Muitos afegãos disseram que as ameaças não os impediriam de participar da eleição. "O povo afegão está acostumado a viver sob as piores circunstâncias de insegurança e luta, por que deveria ter medo de sair para votar?", disse o estudante Sayed Mustafa, em Cabul, mostrando o dedo com tinta, prova de que votara.

 

Na província de Baghlan (norte), o Taleban atacou um posto policial, matando um chefe distrital de polícia. Foguetes atingiram as cidades de Kandahar, Lashkar Gah, Ghazni e Kunduz, onde dois observadores eleitorais ficaram feridos numa seção de votação. Em Gardez (leste), um policial disse que dois homens-bomba se explodiram sobre motos, mas sem deixar outras vítimas.

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