Afeganistão investiga morte de agente norte-americano em delegacia

A policial afegã-iraniana que matou um oficial de treinamento dos Estados Unidos em uma delegacia de polícia de Cabul pode ter cometido o assassinato por motivo pessoal, disseram autoridades da área de segurança, que também investigavam um possível envolvimento do Taliban ou da Al Qaeda no crime.

HAMID SHALIZI, Reuters

25 de dezembro de 2012 | 13h51

As autoridades disseram que a mulher, identificada como Narges, parecia estar arrependida depois dos tiros. As fontes disseram que ela tinha um passaporte iraniano, mas não havia provas de que o Irã poderia ter orquestrado o ataque.

A mulher chegou à delegacia na manhã da segunda-feira e seguiu para o banheiro, onde carregou um revólver e o escondeu debaixo de seu longo véu, disseram. Ela, então, se aproximou do oficial de treinamento policial norte-americano quando ele seguia para a cantina, atirando na altura de suas costelas.

"Depois que ela disparou contra o norte-americano, ela apontou sua pistola para outros policiais que correram para prendê-la. Mas sua arma travou", disse um agente à Reuters. "Os alvos principais dela podem ter sido autoridades no complexo."

Aparentemente, essa é a primeira vez que integrantes do sexo feminino das forças de segurança do Afeganistão lançam tal ataque. Ao menos 52 membros da Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf, na sigla em inglês) foram mortos neste ano por afegãos usando uniformes do exército ou da polícia, nos chamados "ataques internos".

Os incidentes têm minado a confiança entre a coalizão e as forças afegãs, que estão sob pressão crescente para conter a insurgência do Taliban antes que as tropas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) saiam do país até o final de 2014.

"Esse foi um ataque muito organizado", disse uma autoridade policial. "Deve ter havido forças maiores envolvidas... A essa altura, só podemos dizer que ela (Narges) pode ter sofrido uma lavagem cerebral tanto do Taliban quanto da Al Qaeda", completou.

(Reportagem adicional de Mirwais Harooni e Miriam Arghandiwal)

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