Afeganistão proíbe empresas de segurança privadas

O presidente afegão, Hamid Karzai, baixou um decreto na terça-feira dando quatro meses para a desativação de todas as empresas privadas de segurança no país, um plano que enfrenta restrições por parte de Washington.

PAUL TAIT, REUTERS

17 de agosto de 2010 | 17h34

O Pentágono qualificou o prazo de "muito desafiador", mas disse que os EUA vão cooperar com o governo afegão e buscarão melhorar a supervisão e gestão das empresas de segurança privadas, cuja atuação há anos irrita os afegãos.

"Obviamente esse é um cronograma muito agressivo, que eu acho que nossas forças e comandantes, e também o Departamento de Estado e o embaixador (dos EUA em Cabul) trabalharão com o governo do Afeganistão para cumprir", disse Bryan Whitman, porta-voz do Pentágono, a jornalistas.

O decreto justifica a proibição das empresas pela necessidade de evitar usos impróprios de armas de fogo, o que já causou "incidentes horríveis e trágicos".

Horas antes de assinar o decreto, Karzai recebeu John Kerry, presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado norte-americano. Antes do decreto, Kerry disse que o Afeganistão tem razão em não querer "um monte" de empresas de segurança no país, e que as preocupações de Karzai eram legítimas, mas que um cronograma razoável para a proibição ainda estava "em aberto".

As empresas de segurança empregam até 40 mil pessoas, que trabalham principalmente para empresas ocidentais no Afeganistão, e também para os militares dos EUA, fazendo a vigilância de postos de controle e outras tarefas. Há 52 empresas dessas operando com licença no país, segundo a embaixada dos EUA, e "numerosas outras" sem licença.

Em nota, uma adida de imprensa da embaixada disse que há dúvidas quanto à implementação da medida e sobre como isso afetará os EUA e as empresas com as quais Washington tem contrato.

O decreto exclui empresas que atuam dentro das sedes de embaixadas e de empresas e entidades beneficentes de origem estrangeira. Na semana passada, o gabinete de Karzai havia dito que não haveria exceções.

As firmas dissolvidas poderão vender suas armas ao governo ou levá-las consigo, caso sejam registradas. Empresas sem licença terão as armas confiscadas, segundo o decreto. Em ambos os casos, os vistos dos seus empregados serão cancelados.

Karzai vem tentando reduzir sua dependência em relação aos seus apoiadores ocidentais, e na semana passada elevou o tom de suas críticas às empresas de segurança dizendo que elas eram custosas demais e estavam "criando misérias diariamente."

O imediatismo da proibição aparentemente pegou alguns de surpresa, especialmente por ter sido anunciado logo depois do encontro de Karzai com Kerry.

(Reportagem adicional de Hamid Shalizi em Cabul e Sue Pleming em Washington)

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