Afeganistão se cala diante da revisão da estratégia dos EUA

Líderes afegãos, ignorados no resumo de uma revisão da estratégia de guerra dos Estados Unidos, não deram nenhuma resposta ao relatório nesta sexta-feira, em um sinal das tensões recorrentes na relação entre Cabul e Washington.

JONATHON BURCH, REUTERS

17 de dezembro de 2010 | 16h51

O resumo de cinco páginas, que não fez nenhuma menção ao presidente afegão, Hamid Karzai, foi divulgado na quinta-feira e recebeu críticas de afegãos e grupos de ajuda, que o consideraram excessivamente otimista.

O documento apontou que as forças lideradas pela Otan estão realizando progresso contra o Taliban, mas desafios sérios persistem. O relatório disse que a força dos insurgentes foi reduzida em muitas partes do Afeganistão, e revertida em outras áreas.

Karzai, o maior aliado do presidente dos EUA, Barack Obama, na guerra, recebeu informações sobre o conteúdo da revisão antes da divulgação do resumo. Apesar de outros políticos afegãos, grupos de ajuda e até mesmo o Taliban terem criticado o documento, Karzai manteve-se em silêncio.

O almirante Mike Mullen, chefe do Estado Maior das Forças Armadas dos EUA, em visita ao Afeganistão, deu seu apoio à revisão da estratégia de guerra do governo. Ele disse que o documento inclui uma análise detalhada das relações com Karzai, mas não deu maiores informações.

Em documentos confidenciais dos EUA divulgados pelo site WikiLeaks neste mês, Karzai foi criticado como um líder fraco e errático.

"Posso dizer que a revisão conduzida é completamente, até mesmo brutalmente, honesta. Analisamos todos os aspectos dessa batalha", disse Mullen em coletiva de imprensa em Cabul.

Antes da divulgação do relatório, um comunicado do palácio presidencial disse que Obama telefonou para Karzai para discutir o documento, e os dois concordaram que a segurança no Afeganistão teve avanços em várias áreas, mas necessita ser consolidada em outras.

(Reportagem adicional de Emma Graham-Harrison)

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