Afegão renuncia da comissão que investiga fraude eleitoral

Um dos membros do grupo patrocinado pela ONU alega que estrangeiros estão interferindo no processo

AP

12 de outubro de 2009 | 10h48

Um dos afegãos que participavam de uma comissão patrocinada pela ONU encarregada de investigar a suposta fraude nas eleições presidenciais de agosto no país renunciou nesta segunda, argumentando interferência por parte dos estrangeiros que colaboram no painel.

 

As autoridades reconheceram que os erros e a falta de comunicação pesaram na revisão das alegadas fraudes cometidas no pleito.

 

Uma vez que se esclarecerem os resultados eleitorais, o presidente americano, Barack Obama, poderá terminar de rever sua estratégia no Afeganistão para com a crescente insurgência e decidir se aceita a recomendação de seu mais alto comandante no país, o general Stanley McChrystal, de enviar mais cera de 40 mil efetivos.

 

Muitos consideram que a Comissão de Reivindicações Eleitorais, apoiada pela ONU, é a possível salvadora do pleito. As autoridades ocidentais e afegãs disseram que confiam que o grupo descartará os votos fraudulentos e determinará um resultado justo.

 

As decisões do painel sobre quantos votos serão descartados determinarão se o país vai a uma segunda rodada eleitoral entre o presidente Hamid Karzai e o ex-ministro de Relações Exteriores Abdulá Abdulá.

 

Os resultados preliminares mostram Karzai à frente, com aproximadamente 53% dos votos, mas se forem anulados votos suficientes, ele poderia cair para abaixo dos 50% necessários para evitar um segundo turno.

 

Ao anunciar sua renúncia da comissão, Maulavi Mustafa Barakzia disse que os três estrangeiros no grupo - um americano, um canadense e um holandês - estavam "tomando decisões por conta própria", sem consultar os outros.

 

Uma porta-voz da comissão de reivindicações rebateu esta acusação: "Barakzia era parte integral da comissão e participou de forma equitativa em todas as juntas dos comissionados", disse Nellika Little. Ela disse ainda que a renúncia do comissionado não afetará o trabalho do grupo.

 

O porta-voz da ONU, Aleem Siddique, lamentou a renúncia de Barakzia, mas disse que a organização confia que o grupo chegará a um resultado justo.

 

"Temos confiança absoluta na comissão de reivindicações, e este importante trabalho continua, disse Siddique, que adicionou que a ONU "respalda o trabalho que estão fazendo na representação do povo afegão".

 

Enquanto isso, o diretor da comissão, o canadense Grant Kippen, disse que certos erros de interpretação estão desacelerando ou complicando a investigação e a recontagem.

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