Afegãos votam em meio a ataques com foguetes e violência

Uma série de ataques afetou neste sábado as eleições parlamentares do Afeganistão, matando pelo menos dez pessoas, em uma tentativa do Taliban de interromper uma votação que está testando a credibilidade do governo e das forças de segurança do país.

HAMID SHALIZI E TIM GAYNOR, REUTERS

18 de setembro de 2010 | 10h38

Eleitores aparentavam estar hesitantes em ir às zonas eleitorais após uma série de ataques com foguetes por todo o país. No pior incidente, a polícia disse que o Taliban matou um soldado afegão e seis milicianos pró-governo em uma ação em um posto de segurança próximo a uma zona eleitoral na província de Baghlan, no norte do Afeganistão.

Grandes fracassos na segurança seriam uma enorme derrota, com Washington observando atentamente os acontecimentos antes de o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, realizar uma revisão na estratégia de guerra, em dezembro, que deve examinar a velocidade e a escala da retirada de tropas norte-americanas.

Uma eleição prejudicada pela violência e pela fraude também poderá pesar sobre Obama quando seu governo passar pelo teste das eleições parlamentares norte-americanas, em novembro, em meio a um apoio cada vez menor à guerra e com a violência afegã no pior nível desde a queda do Taliban, em 2001.

A tendência do dia foi estabelecida logo cedo, quando um foguete caiu perto da embaixada norte-americana e do quartel-general das forças lideradas pela Otan, em Cabul, cerca de três horas antes do início das eleições.

O Taliban disse em seu website que conduziu mais de 100 ataques durante o dia.

A eleição deste sábado seguiu padrão similar ao problemático pleito presidencial do ano passado --quando o Taliban também ameaçou, mas não conseguiu prejudicar significativamente o evento, apesar de vários ataques.

O presidente da Comissão Eleitoral Independente, Fazl Ahmad Manawi, afirmou que 8 por cento das 5.816 zonas eleitorais não abriram ou não reportaram, principalmente devido aos temores quanto à segurança. A comissão já tinha decidido não abrir 1.019 locais após o Taliban ter prometido prejudicar as eleições.

Os ataques e o número de zonas eleitorais que permaneceram fechadas aumentaram temores de que um baixo comparecimento às urnas pode afetar o resultado e a credibilidade das eleições.

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