Agência da ONU exibe dados de estudos de armas nucleares no Irã

Investigadores das NaçõesUnidas querem que o Irã explique um gráfico organizacional queinterliga projetos de processamento de urânio, testes deexplosivos e modificação de um cone de míssil para recebercarga nuclear, disseram diplomatas informados sobre o assunto. Os diplomatas disseram que na semana passada um dosdiretores da agência de vigilância nuclear da ONU fez umaapresentação detalhada de informações de inteligência afirmandoa ocorrência de estudos iranianos sobre o desenvolvimentoilícito de armas atômicas e dando o nome do homem que dirigiuesses estudos para o Ministério da Defesa e de Logística dasForças Armadas. Num resumo escrito da apresentação cedido à Reuters, osdiplomatas disseram que o Irã se negou a permitir que osinspetores interrogassem Mohsen Fakrizadeh ou visitassem oslocais em que os experimentos foram realizados. O resumo também confirmou informações vazadas segundo asquais o Irã levou adiante, pela primeira vez, os projetos até2004, questionando a estimativa da inteligência americanadivulgada em dezembro segundo a qual Teerã teria abandonado em2003 as pesquisas sobre a produção de armas nucleares. "Esta apresentação foi uma demonstração gráfica que ...amplia as preocupações que já temos há vários anos", disse oSimon Smith, o embaixador britânico à AIEA (AgênciaInternacional de Energia Atômica), a jornalistas após obriefing de 25 de fevereiro. "E ainda estamos esperando porrespostas." As revelações foram feitas no momento em que os EUA e seusaliados europeus chaves intensificam as pressões sobre quatropaíses em desenvolvimento no Conselho de Segurança da ONU paraque votem na segunda-feira a favor da adoção de sanções contrao Irã, pelo fato de o país ter se negado a suspender seuprograma de enriquecimento de urânio. O Irã diz que suas ambições nucleares se limitam à geraçãopacífica de eletricidade e qualificou como infundadas,fraudadas ou irrelevantes as informações de inteligência,obtidas de um laptop tirado da República Islâmica às escondidase entregue a Washington. Mas o urânio enriquecido pelo Irã pode ser usado não apenaspara criar eletricidade, mas também ser combustível de bombasatômicas, e o país escondeu seu programa da AIEA até 2003,quando o programa foi revelado por dissidentes iranianosexilados. A AIEA, cuja sede fica em Viena, diz que resta a ver se asnovas informações de inteligência são corretas, mas exige doIrã uma resposta completa, e não apenas desmentidos nãoacompanhados por provas. Mohsen Fakrizadeh, que é oficial militar, dirigiu nopassado um centro de pesquisas de física com finalidadesmilitares que foi demolido em 2004, depois de a AIEA ter pedidopara inspecioná-lo para averiguar a presença de indícios depesquisas nucleares não declaradas.

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