Agência da ONU teme que Irã possa fabricar armas nucleares

Rascunho de relatório indica que Teerã possa desenvolver atividades não-declaradas com fins militares

estadao.com.br,

18 de fevereiro de 2010 | 18h14

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão da ONU para fiscalização de programas nucleares, afirmou em um relatório que o Irã pode estar fabricando uma arma nuclear.

 

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É a primeira vez que a agência menciona preocupação com um viés militar do programa nuclear iraniano. A declaração consta em um rascunho do relatório obtido pelas agências Efe, France Presse e pela rede de televisão CNN.

 

O relatório também aponta "um crescente padrão de não-cooperação" do Irã com a AIEA, segundo um alto funcionário da administração Obama, e alega "problemas técnicos significantes" que o Irã continua a ter com seu programa nuclear.

 

Devido a suspeitas lançadas pelo Ocidente, os inspetores desejam esclarecer  atividades relacionadas com a produção de explosivos nucleares no Irã, a manufatura de compostos para explosivos especiais e a origem de experimentos para gerar e detectar nêutrons.

 

"Em seu conjunto, isso causa preocupação sobre a possível existência de atividades não-declaradas no passado e na atualidade, relacionadas com o desenvolvimento de uma carga nuclear para um míssil", aponta o documento de 10 páginas, cujo autor é o novo diretor-geral da AIEA, Yukiya Amano.

 

A AIEA parece respaldar dessa forma as suspeitas que têm há anos os principais países ocidentais, liderados pelos Estados Unidos, que, ao contrário do assegurado por Teerã, o programa nuclear iraniano poderia ter fins militares.

 

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O texto ainda diz que Teerã começou a enriquecer urânio a 19,8% antes da chegada de inspetores da AIEA. A agência havia pedido ao governo iraniano que não começasse o processo antes da verificação, o que foi desrespeitado pelo regime persa.

 

A AIEA assegura ainda que o Irã continua sem cooperar o suficiente em sua missão de determinar se as atividades nucleares iranianas buscam ou não um objetivo pacífico.

 

Em declarações à Agência Efe, um alto funcionário internacional próximo à AIEA confirmou hoje que essas medições são corretas. Com este material, o Irã diz que deseja produzir combustível para um reator científico em Teerã, que fabrica desde a década de 1970 isótopos para o tratamento do câncer.

 

Falha

 

A Casa Branca afirmou nesta quinta que o Irã falhou novamente com suas obrigações internacionais após a AIEA divulgar um relatório no qual afirma que Teerã pode estar desenvolvendo armas nucleares.

 

A bordo de um avião presidencial com destino a um evento político, o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, disse a repórteres que haveria consequências se o Irã continuar a ignorar seus compromissos.

 

O relatório da AIEA sugeriu que pela primeira vez que Teerã retomou o desenvolvimento de armas nucleares, ou nunca o interrompeu quando os EUA acharam que o país tivesse cessado a construção de ogivas nucleares.

 

Há três anos, a inteligência norte-americana afirmou que o Irã aparentava ter suspenso seus trabalhos nucleares em 2003.

 

Notícia atualizada às 21h15

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