Agência de energia atômica acha grafite e mais urânio na Síria

Inspetores da ONU encontraram grafite e mais traços de urânio em amostras retiradas de uma instalação síria que, segundo Washington, abrigava um reator nuclear secreto que estava quase concluído antes de ser destruído por um bombardeio israelense, disseram autoridades na quinta-feira. As primeiras notícias sobre a descoberta das partículas de grafite coincidem com a divulgação do segundo relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU) a respeito da Síria em três meses. Mas fontes da ONU familiarizadas com o documento disseram que o inquérito da AIEA continua inconclusivo. Ainda assim, uma importante autoridade da ONU disse que a descoberta de traços adicionais de urânio era "significativa". Isso, junto com os traços de grafite que estão sendo submetidos a mais testes, aumentou a pressão para que Damasco forneça provas de que não mantém um programa nuclear clandestino. O relatório de novembro da AIEA dizia que o local tinha sinais que poderiam ser de um reator nuclear clandestino. O relatório de quinta-feira diz que Damasco, em carta neste mês à AIEA, repetiu sua posição de que o complexo destruído por Israel em setembro de 2007 no meio do deserto era uma instalação militar comum. Mas, de acordo com o relatório, a Síria continua sem oferecer provas disso, como documentos ou acesso ao local bombardeado, bem como a três outras instalações citadas pelos EUA em informações entregues no ano passado à agência da ONU. Alguns diplomatas dizem que a Síria pode estar jogando com o tempo até que veja se o novo presidente dos EUA, Barack Obama, tem alguma oferta como parte da sua declarada intenção de negociar com inimigos como o Irã, aliado da Síria que tem um programa nuclear sob suspeita. Os EUA dizem que a instalação síria bombardeada continha um reator que estava sendo construído com assistência norte-coreana, e que seria destinado a produzir urânio para bombas atômicas. O funcionário da ONU disse que novas análises de amostras desde novembro revelaram mais 40 casos de partículas de urânio processado, somando-se a 40 registradas três meses atrás.

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