Agência de refugiados da ONU questiona eficácia de alívio de bloqueio a Gaza

Chefe do órgão quer ver 'mais ações e menos discursos de Israel' para relaxar o embargo

Reuters

23 de junho de 2010 | 11h36

BEIRUTE - O chefe da agência da Organização das Nações Unidas (ONU) para os refugiados palestinos disse nesta quarta-feira, 23, que a eficácia das medidas de Israel para aliviar o bloqueio a Gaza são questionáveis.

 

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Filippo Grandi, comissário-geral da Agência de Ajuda e Trabalho da ONU (UNRWA, na sigla em inglês) para os refugiados palestinos, classificou o embargo como "absurdo, contraproducente e ilegal" e citou elementos no plano de relaxamento de Israel que não esclarecem como o bloqueio poderia ser totalmente levantado.

 

"Eles falam em itens cuja entrada será permitida por algum tempo, dependendo de quem os enviar. Isso é bastante complicado. Vimos várias declarações sobre como eles vão aliviar o bloqueio, mas o problema são os detalhes. Temos que ver como isso será feito, e ainda não vimos isso", disse Gandi, acrescentando que a agência "quer ver fatos, e não apenas declarações".

 

Israel concordou em aliviar o bloqueio a Gaza mantido desde 2007 por pressões internacionais que se intensificara, após o episódio do dia 31 de maio, quando militares israelenses atacaram uma frota internacional que levava ajuda humanitária ao território palestinos e deixaram nove civis turcos mortos.

 

O governo de Israel mantém o bloqueio à Faixa de Gaza desde que o Hamas, grupo militante palestino, tomou o controle do território à força. O Hamas não reconhece a existência do Estado de Israel e é considerado por este país, pelos EUA e pela União Europeia como uma organização terrorista.

 

Com o bloqueio, o governo israelense impões restrições de viagens e entrada de ajuda à Faixa de Gaza. Israel só permite a entrada de ajuda humanitária a Gaza através de pontos controlados na fronteira terrestre entre os territórios. Os israelenses dizem que agora todos os bens que não possam ser desviados para fins militares podem entrar em Gaza. Cimento e metais são alguns dos materiais que, segundo o Estado judeu, podem ser usados pelo Hamas para a construção de armas.

 

Grupos de direitos humanos e outros críticos, porém, veem o bloqueio como uma punição coletiva para o 1,5 milhão de palestinos que vivem em Gaza. Israel nega que haja uma crise humanitária em Gaza, como palestinos, defensores de direitos humanos e a ONU dizem.

 

Analistas dizem que as novas regras para o embargo ainda dificultam a importação de materiais de construção para reerguer prédios na região costeira de Gaza, que sofreu vários danos na guerra entre Israel e o Hamas no início de 2009.

 

Grandi disse que a agência pede a Israel que abra suas fronteiras terrestres, principalmente o terminal de carga de Karni, no nordeste dos limites. O local é grande o bastante para receber carregamentos em escala industrial de cimento e outros materiais. Atualmente, caminhões com a ajuda são desviados para passagens menores.

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