AP
AP

Ahmadinejad descarta negociação de 'direito nuclear inegável'

'Do nosso ponto de vista, questão nuclear está encerrada', diz presidente iraniano; agência atômica se reúne

07 de setembro de 2009 | 09h57

O presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad voltou a descartar nesta segunda-feira, 7, qualquer discussão sobre o "inegável" direito nuclear de seu país, e insistiu que qualquer debate sobre o assunto deve se centrar na "cooperação sobre o uso pacífico da energia atômica", informou a agência France Presse. "Do nosso ponto de vista, a questão nuclear está encerrada. Não negociaremos os direitos inegáveis do Irã", afirmou o líder ultraconservador em entrevista coletiva.

 

Veja também:

linkIrã e Venezuela assinam acordo de energia

linkChávez defende programa nuclear iraniano

lista Conheça os números do poderio militar do Irã

lista Altos e baixos da relação entre Irã e EUA

especialEspecial: O histórico de tensões do Irã

especialEspecial: O programa nuclear do Irã

especialEspecial: As armas e ambições das potências

 

Ahmadinejad fez as declarações uma hora antes do início da reunião da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) em Viena. O diretor-geral do órgão, Mohamed ElBaradei, afirmou que as investigações sobre o programa nuclear do Irã estão "bloqueadas". Na abertura de uma reunião do Conselho de Governadores da AIEA, ElBaradei reconheceu que a República Islâmica melhorou sua cooperação em algum âmbitos, mas não nos principais assuntos pendentes, especialmente na questão de se existe ou não uma dimensão militar de suas atividades nucleares.

 

Segundo ElBaradei, o Irã aumentou sua colaboração com a AIEA quanto à melhora das medidas de controle em sua principal usina de enriquecimento de urânio e permitiu que os inspetores fiscalizem o reator de água pesada, em Arak. No entanto, "em todos os demais assuntos relevantes sobre o programa nuclear do Irã, existe bloqueio", constatou ElBaradei, segundo a versão escrita de seu discurso feito diante dos 35 países-membros do Conselho de Governantes, o órgão executivo da AIEA.

 

Ahmadinejad insistiu em que Teerã também espera uma mudança de atitude por parte do Ocidente, que acusa o Irã de ocultar, sob seu programa civil, outro de natureza militar cujo objetivo seria a aquisição de armas atômicas. O Irã nega as alegações e reitera que sua meta é a aplicação em projetos pacíficos, como a geração de eletricidade.

 

"Se os representantes de certos países ocidentais e dos Estados Unidos querem tomar decisões finais, esperamos que mudem sua atitude, ao que o Irã daria as boas-vindas", explicou. O denominado grupo 5+1, integrado pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança (EUA, Rússia, China, Grã-Bretanha e França) mais Alemanha, se reuniu na semana passada neste último país para analisar o programa nuclear iraniano e planejar uma estratégia para o futuro.

Tudo o que sabemos sobre:
Irãprograma nuclear

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.