Ahmadinejad diz a líderes árabes que respeitem manifestantes

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, cujas forças de segurança esmagaram os protestos contra sua reeleição em 2009, condenou na quarta-feira a brutalidade do Estado contra os manifestantes na Líbia.

REUTERS

23 de fevereiro de 2011 | 12h08

Falando pela primeira vez sobre os levantes deste ano em países árabes, Ahmadinejad expressou repúdio ao uso de violência extrema e exortou os governos a darem ouvidos a suas populações.

"Como pode um líder sujeitar seu próprio povo a ataques com metralhadoras, tanques e bombas? Como pode um líder bombardear seu próprio povo e depois dizer 'vou matar qualquer pessoa que disser qualquer coisa'?", disse Ahmadinejad em declarações transmitidas pela televisão.

O presidente iraniano se pronunciou um dia depois de manifestantes líbios terem afirmado que foram atacados por tanques e aviões de guerra. O líder Muammar Gaddafi disse que os manifestantes merecem a pena de morte e prometeu que vai morrer como mártir, mas não renunciar.

"Quero seriamente que todos os chefes de Estado prestem atenção a seu povo e cooperem, sentem-se para dialogar e ouvir as palavras do povo. Por que eles agem tão mal que seu povo precisa aplicar pressão por reformas?", disse Ahmadinejad.

Teerã vem saudando os levantes árabes como os da Tunísia e do Egito, dizendo tratar-se de um "despertar islâmico" contra governantes déspotas.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse que as palavras de Ahmadinejad são irônicas, já que Teerã "agiu em contraste direto com o que aconteceu no Egito, espancando e disparando contra pessoas que procuraram expressar-se pacificamente".

Partidários da oposição no Irã dizem que seus próprios protestos - nos quais duas pessoas já morreram este mês - foram novamente esmagados por forças de segurança.

Antes do protesto realizado em 14 de fevereiro, o movimento oposicionista iraniano, Verde, não tinha promovido manifestações desde dezembro de 2009, quando oito pessoas foram mortas em enfrentamentos com as forças de segurança, encerrando meses de manifestações enormes contra a eleição de junho de 2009 que deu um segundo mandato a Ahmadinejad.

Teerã rejeitou as acusações da oposição de que a eleição teria sido fraudada e acusou o movimento Verde de tentar derrubar o sistema islâmico, com o apoio dos inimigos externos do Irã.

O Irã atribuiu as mortes deste mês no país a elementos "terroristas" que estariam misturados aos manifestantes, e deputados pediram a prisão e execução dos líderes reformistas que convocaram os protestos para manifestar seu apoio aos acontecimentos no norte da África.

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