Ahmadinejad diz que crise da Síria pode dominar a região

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, alertou na terça-feira que as hostilidades na Síria podem dominar toda a região e acusou alguns sírios de tentarem usar esse conflito para acertar contas com Teerã.

Reuters

02 de outubro de 2012 | 17h05

Em comentários à TV Al Jazeera, Ahmadinejad disse que o diálogo nacional e novas eleições - ao invés da guerra - são o único caminho para resolver a crise, e que cabe ao povo sírio escolher.

"Há outra forma de encontrar uma solução, é o entendimento mútuo e nacional, a fim de que haja eleições no futuro".

A entrevista foi dada em persa, e traduzida para o árabe pela Al Jazeera. Ele já havia feito declarações semelhantes numa entrevista coletiva em Teerã.

"Não dizemos o que eles deveriam fazer. Ajudamo-los a se sentarem e buscar um entendimento mútuo . Não dizemos quem deve sair e quem deve ficar, isso seria interferir nos assuntos dos países. Mas dizemos que é direito das pessoas escolherem", afirmou ele em entrevista coletiva.

Todas as potências mundiais envolvidas na crise síria "tiveram seus próprios erros", afirmou ele, alertando que o conflito na Síria vai se espalhar para outros países da região caso permaneça sem solução.

"Amanhã, a atmosfera na Jordânia pode ser igual à que a Síria está experimentando. Portanto, devemos procurar uma solução prática e boa para todos os povos da área; do contrário, catástrofes se abaterão sobre nós."

O Irã é aliado incondicional do presidente sírio, Bashar al Assad, que há 18 meses tenta reprimir uma rebelião popular. Ativistas dizem que 30 mil pessoas já foram mortas no conflito, que se tornou uma guerra civil.

Ahmadinejad sugeriu que a crise síria está sendo usada para tentar abalar o Irã. "Todos os sírios são respeitáveis, mas alguns querem acertar contas com o Irã", afirmou.

A rebelião na Síria é protagonizada pela maioria sunita do país, enquanto Assad e o restante da elite local pertencem à seita alauíta, uma variação do islamismo xiita, que é majoritário no Irã.

O presidente iraniano reiterou sua oposição a uma intervenção militar estrangeira para acabar com o conflito. "Sou contra a guerra, mas aqueles que desejam que as coisas sejam resolvidas por meio do diálogo são uma minoria, e talvez a maioria esteja a favor de ir adiante no contexto da guerra", disse ele.

O Irã tem tradicionalmente boas relações com a Síria, acrescentou ele, admitindo que o Irã já deu "conselhos" a Damasco no passado. Mas ele pareceu evitar responder se o Irã fornece armas ao país.

"Suponhamos que fornecêssemos armas ao lado sírio, será que os problemas seriam resolvidos? Será que o regime vai ficar lá sentado para sempre?"

(Reportagem de Raissa Kasolowsky em Abu Dhabi e Ahmed Tolba no Cairo)

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