Ahmadinejad diz que eleição foi referendo de seu governo

Presidente iraniano saúda resultado da votação e diz que trama de inimigos contra o regime fracassou

30 de junho de 2009 | 11h37

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, saudou nesta terça-feira, 2 sua reeleição como uma vitória para o povo iraniano e uma derrota aos inimigos da República Islâmica. "Esta eleição foi na realidade um referendo. A nação iraniana foi vencedora e os inimigos, apesar de suas... tramas para uma derrubada branda do sistema, fracassaram e não conseguiram atingir seus objetivos", disse o presidente, segundo a agência de notícias Irna.

 

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O presidente conservador discursou um dia após o principal órgão legislativo do Irã ter confirmado que ele venceu a eleição de 12 de junho com uma maioria esmagadora e rejeitou queixas de irregularidades feitas por dois adversários derrotados, pró-reforma. O Irã frequentemente acusa o ocidente de tentar arruinar o Estado Islâmico através de uma "branda" ou "disfarçada revolução" com a ajuda de intelectuais e outras pessoas dentro do país.

 

Como era esperado, o Conselho de Guardiães desconsiderou na segunda-feira as reclamações de irregularidades na eleição de 12 de junho, feitas pelos candidatos derrotados Mir Hussein Mousavi e Mehdi Karoubi. Um comunicado divulgado pelo site de Mousavi na Internet não faz referência à decisão do órgão de 12 membros, mas cita uma carta enviada pelo ex-primeiro-ministro ao Conselho no sábado, na qual ele repete o pedido para que a eleição seja anulada.

 

A eleição presidencial provocou a maior tensão interna no país desde a revolução islâmica de 1979. Centenas de milhares de iranianos se juntaram aos protestos nas ruas após a primeira declaração da vitória de Ahmadinejad, mas a tropa de choque e uma milícia religiosa esmagaram as manifestações desde o dia 20 de junho. Segundo a mídia estatal, 20 pessoas morreram nos confrontos, pelo qual o governo culpa a oposição e vice-versa.

 

O Conselho de Guardiães, que veta candidatos presidenciais e supervisiona o processo eleitoral, declarou que uma recontagem parcial de 10% dos votos não mostrou irregularidades e anunciou que a denúncia havia sido arquivada.

 

O próximo passo formal é o líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei, reconhecer Ahmadinejad como presidente. Depois disso, ele deve ser empossado pelo Parlamento em algumas semanas. Não está claro se Mousavi seguirá pedindo o cancelamento da votação, arriscando assim ser preso, ou se aceitará a derrota para Ahmadinejad, que é apoiado por Khamenei e pela Guarda Revolucionária.

 

Um clérigo conservador do Irã exigiu nesta terça-feira o fim dos protestos contra a reeleição. "O Conselho de Guardiães é a única referência legal para a eleição e, portanto, parece que a questão dos protestos contra a eleição presidencial está encerrada," disse Ahmad Khatami, clérigo que, na sexta-feira, pediu a execução dos líderes dos protestos. "Todos que acreditam no sistema islâmico e estão comprometidos com suas leis e regulamentações têm de aceitar a opinião do Conselho de Guardiães", disse ele, segundo a agência de notícias semioficial Fars.

 

"Se algumas pessoas ainda se opõem à decisão do Conselho de Guardiães. Isso significa que elas se opõem à lei e isso mostra que essas pessoas não querem seguir adiante por meio de canais legais e que querem atingir seus objetivos pela força", disse Khatami.

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