Henny Ray Abrams/AP
Henny Ray Abrams/AP

Ahmadinejad diz que futuro pertence ao Irã e nega efeito de sanções

Em entrevista a agência, presidente iraniano nega que seu governo quer construir a bomba atômica

AP,

19 de setembro de 2010 | 19h06

NOVA YORK- O presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad disse neste domingo, 18, que "o futuro pertence ao Irã", e desafiou os Estados Unidos a aceitarem que seu país exerce um papel de liderança no mundo.

 

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"A administração dos Estados Unidos (...) deve reconhecer que o Irã é uma grande potência". "Tendo dito isso, nós nos consideramos uma força humana, uma potência cultural e, portanto, um amigo das outras nações. Nós nunca buscamos dominar os outros ou violar os direitos de nenhuma outra nação", disse.

 

"Aqueles que insistem em ter hostilidades contra nós, destroem a opção de amizade no futuro, o que é triste porque está claro que o futuro pertence ao Irã e que inimizades serão infrutíferas - e as sanções, portanto, também não terão efeito (...). Se elas tivessem efeito, eu não estaria sentado aqui agora", afirmou.

 

As declarações foram feitas em uma entrevista de uma hora concedida à agência Associated Press no primeiro dia de sua visita aos Estados Unidos para comparecer a Assembleia Geral anual da ONU, que acontece nesta semana.

 

O governante insistiu que seu governo não quer possuir a bomba atômica - algo que seria do passado - e que o Irã é o único país que busca a paz e um mundo livre de armas nucleares.

 

Ahmadinejad não deu indicações de quando Teerã voltará a mesa de negociações para discutir o teor de seu programa nuclear e disse que qualquer sanção contra seu governo não teria efeito sobre as políticas do regime.

 

O presidente disse estar satisfeito com a libertação de uma americana que estava presa há mais de um ano no Irã, mas declarou que seus dois companheiros ainda presos precisam provar sua inocência. Os três jovens foram acusados de espionagem após cruzarem acidentalmente a fronteira do Iraque com o Irã em julho de 2009.

 

Sobre o programa nuclear de sue país, Ahmadinejad defendeu que inspetores nucleares internacionais nunca encontraram provas de que o Irã está desenvolvendo uma bomba atômica.

 

"Nós não temos medo de armas nucleares. O ponto é que se nós realmente quiséssemos construir uma bomba atômica, seríamos corajosos o bastante para dizer que a queremos. Mas nós nunca quisemos isso. Estamos dizendo que o arsenal de bombas atômicas precisa ser destruído".

 

As potências ocidentais acusam o Irã de esconder, sob seu programa nuclear civil, outro de natureza clandestina e aplicações bélicas, cujo objetivo seria a aquisição de armas atômicas. Teerã nega tais alegações.

 

As tensões sobre o programa nuclear iraniano se acirraram no final do ano passado após o Irã rejeitar uma proposta de troca de urânio feita por EUA, Rússia e Reino Unido. Meses depois, o país começou a enriquecer urânio a 20%.

 

Um acordo mediado por Brasil e Turquia para troca de urânio chegou a ser assinado com o Irã em maio. O acordo, porém, foi rejeitado pelo Grupo de Viena - composto por Rússia, França, EUA e AEIA - e o Conselho de Segurança da ONU optou por impor uma quarta rodada de sanções ao país.

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