Ahmadinejad encerra giro sem brilho pela América Latina

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, encerrou nesta sexta-feira um giro por quatro países da América Latina que resultou em declarações amáveis de líderes aliados, mas não produziu nenhuma oferta clara de ajuda para amenizar as sanções impostas pelo Ocidente por causa do programa nuclear iraniano.

ENRIQUE ANDRES PRETEL, REUTERS

13 de janeiro de 2012 | 15h55

Os limitados resultados do tour por Venezuela, Nicarágua, Cuba e Equador reforçaram a visão de que o Irã dependerá de pesos pesados como China ou Rússia para ajudar a driblar das sanções que pela primeira vez ameaçam os lucros do país com a venda de petróleo.

Os mais proeminentes presidentes de esquerda da América Latina, liderados pelo venezuelano Hugo Chávez, defendem o direito do Irã de desenvolver um programa de energia nuclear e criticaram as duras medidas dos EUA, que acusam Teerã de buscar um arsenal nuclear.

Embora tenham elogiado Ahmadinejad, no entanto, o bloco dos aliados socialistas latino-americanos ofereceu poucos sinais de que podem ajudar o Irã a driblar as sanções com dinheiro ou combustível.

"É uma demonstração diplomática, com encontros com os parceiros na região; é um lembrete a quem esteja olhando que o Irã continua a manter relações com países na América Latina", disse Risa Grais-Targow, da consultoria política Eurasia Group.

Ahmadinejad teve a recepção mais calorosa com Chávez, que zombou das acusações de que o Irã esteja fabricando uma arma nuclear, e depois visitou o nicaraguense Daniel Ortega, o cubano Raúl Castro e o equatoriano Rafael Correa.

No entanto, Ahmadinejad manteve o silêncio sobre assuntos-chave, incluindo o ataque a bomba em Teerã nesta semana que matou um cientista nuclear iraniano, a condenação à morte de um americano-iraniano por espionagem, a ameaça do Irã de fechar a passagem do Estreito de Ormuz e o início do enriquecimento de urânio.

Em contraste com a viagem anterior de Ahmadinejad pela América Latina, o Brasil não fez parte do roteiro, já que o novo governo brasileiro da presidente Dilma Rousseff se distanciou de Teerã em relação ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na véspera do Ano Novo, o presidente dos EUA, Barack Obama, tornou lei as sanções mais duras já impostas contra o Irã. Se forem implementadas por inteiro, poderão tornar extremamente difícil para a maioria dos países pagar pelo petróleo iraniano.

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