Ahmadinejad espera mais negociações com potências mundiais

O Irã espera retomar as negociações com as potências mundiais sobre o seu programa nuclear, disse neste domingo o presidente Mahmoud Ahmadinejad, um dia após as conversas terem acabado em um impasse, sem novo acordo para um outro encontro.

RAMIN MOSTAFAVI, REUTERS

23 de janeiro de 2011 | 11h07

"Se a outra parte estiver determinada e comprometida com a lei, a justiça e o respeito, há esperança de que, nas próximas reuniões, bons resultados possam ser alcançados", afirmou Ahmadinejad em um discurso.

Dois dias de negociações com Estados Unidos, França, Alemanha, China, Rússia e Grã-Bretanha tiveram fim neste sábado, sem progresso. A chefe das negociações por parte do grupo de potências mundiais, Catherine Ashton, disse que não havia mais encontros agendados para acontecer.

Ahmadinejad falou como se as negociações fossem ser retomadas.

"Nos encontros seguintes, haverá bons acordos feitos, desde que as duas partes permaneçam comprometidas com o espírito das negociações", afirmou o presidente em um discurso televisionado, em frente a uma multidão na cidade de Rasht.

Ele culpou Israel e seus aliados ocidentais pela falta de avanço nas conversas.

"Sionistas incultos e algumas pessoas da América e da Europa estão esperançosos de que os assuntos permaneçam não resolvidos", afirmou.

As conversas, que foram realizadas na cidade turca de Istambul, tinham o objetivo tratar da disputa do Irã com países cujos temores são de que os iranianos estejam desenvolvendo armas nucleares.

Teerã diz que seu programa nuclear é pacífico e ignorou resoluções do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) exigindo que a nação suspenda o enriquecimento de urânio, processo que pode produzir combustível para usinas nucleares ou, se feito a um nível muito elevado, o núcleo de uma bomba atômica.

A perspectiva de uma arma nuclear iraniana alimenta temores de um grande conflito no Oriente Médio caso os EUA ou Israel decidam atacar o Irã, uma opção final se a diplomacia não obtiver resultados.

Ashton, chefe de política externa da União Europeia, afirmou após as negociações: "O processo pode avançar se o Irã escolher responder positivamente... A porta permanece aberta. A escolha está nas mãos do Irã."

As potências mundiais podem ficar relutantes em voltar para as negociações se não houver perspectiva de acordo, especialmente pelas afirmações de diplomatas de que é interesse do Irã prolongar as conversas enquanto aumenta o seu estoque de urânio enriquecido.

O Irã diz que outros países devem respeitar seus "direitos nucleares" e que suas atividades de enriquecimento de urânio não são negociáveis. O país chama as sanções, que ficaram mais rígidas no ano passado, de ilegais, e Ahmadinejad afirmou que o Irã não vai ceder ao "bullying".

(Reportagem adicional de Hashem Kalantari e Fredrik Dahl em Viena)

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