Ahmadinejad: Irã produzirá combustível nuclear 20% enriquecido

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, disse na quarta-feira que o Irã vai enriquecer urânio para um nível mais elevado, aparentemente descartando um acordo acertado com a Organização das Nações Unidas (ONU) para dirimir temores de que Teerã esteja tentando desenvolver armas nucleares.

PARISA HAFEZI, REUTERS

02 de dezembro de 2009 | 15h54

Diplomatas ocidentais afirmaram que há dois meses o Irã havia aceitado um plano de enviar 75 por cento de seu urânio de baixo enriquecimento (LEU) à Rússia e à França para enriquecimento posterior e então ser convertido em combustível para o programa de medicina nuclear do Irã.

O Ocidente esperava que a saída de boa parte da reserva de LEU do Irã para reprocessamento com uma tecnologia que o Irã não tem minimizaria o risco de a república islâmica refinar o LEU para uma pureza adequada a bombas atômicas - suspeita reforçada pelo histórico do Irã de sigilo nuclear e de ser evasivo nas investigações da agência nuclear da ONU.

Desde então, no entanto, Teerã recuou do acordo, exigindo emendas que manteriam intacto o estoque iraniano de LEU. Algumas autoridades iranianas sugeriram que o Irã poderia enriquecer o LEU a partir de 3,5 por cento até o nível de 20 por cento necessário para transformar o material em combustível para o reator nuclear.

Ahmadinejad foi mais explícito.

"Graças a Deus, a nação iraniana produzirá urânio enriquecido a 20 por cento e tudo o mais que precisa", disse ele num discurso transmitido pela televisão na cidade de Isfahan.

Caso consiga isso, o Irã pode aumentar as suspeitas de que o objetivo nuclear subjacente é desenvolver armas, já que não tem a tecnologia para criar combustível para um reator médico a partir de LEU de um grau maior. Para bombas, o material precisa ser enriquecido a 90 por cento.

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