Ahmadinejad pede julgamento dos líderes da oposição

Presidente iraniano também admitiu que houve abusos aos presos dos protestos, mas isentou governo de culpa

Associated Press,

28 de agosto de 2009 | 12h29

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, pediu nesta sexta-feira, 28, que os líderes da oposição que organizaram os protestos pós-eleitorais no Irã sejam julgados.

 

Veja também:

especial O histórico de tensões e conflitos do Irã

 

Os pedidos de Ahmadinejad aumentaram a pressão contra os reformistas em meio ao mal-estar que tomou conta do país após as eleições presidenciais de 12 de junho, a maior oposição ao regime religioso desde seu início, em 1979.

 

"Deve haver um combate sério contra os líderes e principais atores, contra aqueles que organizaram e provocaram os distúrbios e executaram o plano do inimigo. Eles devem ser tratados com seriedade", disse Ahmadinejad a milhares de pessoas em Teerã, antes das orações do dia.

 

O presidente disse que os principais ativistas, que já estão em julgamento, devem ser tratados com "misericórdia islâmica" e os classificou como "enganadores" que tomaram parte da revolta.

 

"Aqueles enganadores e os atores secundários devem ser tratados com a misericórdia islâmica. Não devem ficar imunes ou ganhar proteção, porque castigam os enganados e os participantes menos relevantes", disse.

 

Mais de 100 ativistas políticos a favor da reforma no Irã, incluindo muitos que fizeram confissões públicas, serão julgados em Teerã. Várias organizações sociais indicam que as confissões foram realizadas por coerção durante sua custódia.

 

Ahmadinejad não especificou o nome dos líderes da oposição, mas muitos extremistas e integrantes da Guarda Revolucionária pediram a prisão dos ex-candidatos Mir Housein Mousavi e Mehdi Karroubi, assim como o do ex-presidente Mohamed Khatami.

 

O atual presidente também admitiu que os manifestantes sofreram abusos durante sua detenção, mas negou que o governo esteve envolvido e disse que se tratava de ações dos inimigos do Irã e da oposição.

 

"As ações ocorridas enquanto os opositores estavam sob custódia foram parte das tramas dos inimigos. As forças militares, de inteligência e segurança estão isentas destes atos desonrosos", disse Ahmadinejad.

 

Segundo dados da oposição, 69 pessoas morreram nos protestos contra o resultado das eleições, enquanto o governo que o número é de 30 mortes. Centenas foram presos desde o dia da votação e segundo a oposição, alguns deles morreram por abusos e maus-tratos na prisão.

Tudo o que sabemos sobre:
IrãeleiçõesAhmadinejadprotestos

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.