Ahmadinejad pede libertação de presos durante protestos

Decisão foi tomada após visita de uma comissão parlamentar à prisão de Evin, na capital Teerã

28 de julho de 2009 | 15h59

O presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad pediu nesta terça-feira, 28, ao chefe do poder judicial do Irã a liberação imediata das pessoas detidas durante os protestos que tomaram as ruas da capital, Teerã, após as eleições de 12 de junho, informou a agência AFP. A decisão de Ahmadinejad foi anunciada após a visita de uma comissão parlamentar ao centro de detenção de Evin, o principal da capital iraniana.

 

"Como já se transcorreu algum tempo considerável desde que foram presos, esperamos que a situação de todos os acusados seja examinada rapidamente", afirmou o presidente em uma carta dirigida ao chefe do poder judicial, Mahmoud Hashemi-Chahrudi, de acordo com a televisão estatal.

 

Ahmadinejad pediu que "dê uma prova de muita compaixão em nome do islã com os cidadãos que se encontraram inconscientemente neste caminho e que os libera para comemorar com seus familiares o nascimento do imã Mahdi", que será celebrado no próximo dia 7 de agosto.

 

Cerca de 140 iranianos foram libertados. Segundo as autoridades do país, porém, cerca de outros 150 detidos, acusados de crimes mais sérios, continuam presos em Evin.

 

"Os que foram libertados cometeram crimes mais leves", afirmou o porta-voz do Comitê Parlamentar para Segurança Nacional e Política Exterior, Kazem Jalali. O porta-voz acrescentou que nenhuma figura política conhecida está entre os beneficiados.

 

Khamenei

 

Ex-prisioneiros políticos, como jornalistas e blogueiros, reclamam de desrespeito aos direitos humanos na prisão de Evin. Há denúncias de casos de confinamento solitário e uso de táticas brutais de interrogatório e até mesmo tortura.

 

Nos últimos dias a oposição iraniana denunciou novas mortes de manifestantes na prisão quase todos os dias.

 

Um dos mortos foi o filho de Abdulhossein Rouhalamini, que é assistente próximo de um dos candidatos de oposição nas últimas eleições presidenciais, Mohsen Rezai.

 

A libertação dos detidos em Evin ocorreu num momento em que o líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, ordenou o fechamento de outro centro de detenção de Teerã no qual manifestantes oposicionistas eram mantidos.

 

A decisão teria sido tomada devido ao fato de os administradores do local, o centro de Kahrizak, não terem preservado os direitos dos detidos.

 

O líder do judiciário do Irã ordenou a revisão de todos os casos dos que estão mantidos na prisão desde as eleições no país, e o Comitê Parlamentar para Segurança Nacional e Política Exterior investiga as detenções.

 

Ainda não está claro se os detentos do centro foram libertados ou transferidos para outro centro.

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