Ahmadinejad prefere slogans a políticas, diz clérigo da oposição

Um clérigo iraniano criticou naquarta-feira o presidente Mahmoud Ahmadinejad por manter umapolítica externa que privilegia os slogans sobre a diplomacia. Hassan Rohani, afastado da função de negociador nucleariraniano depois da posse de Ahmadinejad, em 2005, não o citounominalmente, mas seus comentários estavam claramente dirigidoscontra o presidente, acusado por críticos de isolar o Irã nadisputa nuclear com o Ocidente. "Política externa não significa entoar slogans. Políticaexterna não significa usar palavras ferozes. Política externanão significa aumentar a ameaça contra nós", disse Rohani numpronunciamento público. A oposição iraniana diz que os discursos agressivos deAhmadinejad contra o Ocidente contribuíram com a adoção de doispacotes de sanções da ONU contra o país e de nada serviram paraconvencer o mundo de que o programa nuclear iraniano épacífico. Ahmadinejad minimiza o impacto de uma possível terceirarodada de sanções, mas economistas alertam para fuga deinvestimentos e aumento nos custos de produção no Irã. "Não podemos dizer que queremos ser desenvolvidos mas, aomesmo tempo, não queremos interagir com a comunidadeinternacional", disse Rohani. "Podemos ser desenvolvidos seconseguirmos controlar a inflação." Rohani, aliado do ex-presidente Akbar Hashemi Rafsanjani,derrotado por Ahmadinejad na eleição de 2005, é um membro daala reformista, que faz críticas habituais ao presidente. TESTE ELEITORAL A eleição parlamentar de 14 de março é vista como um testepara o presidente, cuja popularidade foi afetada por questõeseconômicas, especialmente a inflação. O resultado pode servirde termômetro para as chances de reeleição de Ahmadinejad em2009. Na semana passada, o presidente declarou vitória diante deum relatório da AIEA (agência nuclear da ONU) segundo o qual oIrã esclareceu dúvidas sobre suas atividades nuclearespregressas, embora tenha cobrado mais cooperação do país. Na terça-feira, o líder supremo do Irã, aiatolá AliKhamenei, elogiou a conduta do presidente na questão nuclear eatacou os que no passado defendiam concessões. Quando Rohani era o negociador, o Irã suspendeutemporariamente o enriquecimento de urânio, principal exigênciado Ocidente. O presidente diz que tais concessões incentivam oOcidente a pedir mais. Ahmadinejad recebe elogios também em países vizinhos, ondehá ressentimentos contra as políticas dos Estados Unidos, oinimigo número 1 do Irã. O presidente vem fazendo visitas avários países árabes do golfo Pérsico para tentar melhorar asrelações com governos sunitas, que habitualmente vêem o Irã,xiita, com suspeitas. Na semana que vem, ele deve se tornar oprimeiro presidente iraniano a visitar o Iraque. Mas Rohani, um dos representantes de Khamenei no ConselhoSupremo de Segurança Nacional, questionou se Ahmadinejad estáconquistando aliados árabes e muçulmanos. "Se queremos servir de modelo para o mundo islâmico, temossucesso? Os países da região e os países islâmicos nos vêemcomo um modelo atualmente?", questionou Rohani.

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