Ahmadinejad se nega a negociar com EUA sem agenda prévia

Presidente do Irã disse que programa nuclear deve ser negociado na 'Agência e da regulação vigente'

Efe,

26 de abril de 2009 | 13h59

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, se negou neste domingo, 26, a negociar com os Estados Unidos "incondicionalmente", como foi oferecido por seu colega americano, Barack Obama, e pediu uma agenda prévia.

 

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"Não, não", respondeu Ahmadinejad quando George Stephanopoulos, jornalista da rede de televisão ABC, perguntou a ele se está preparado para aceitar a oferta do presidente americano.

 

Em uma das poucas entrevistas concedidas a um veículo de imprensa ocidental, o chefe de Estado iraniano disse que se deve "estabelecer um marco definido para as conversas. A agenda deve estar clara".

 

No entanto, explicou que o assunto do programa nuclear do Irã deve ser negociado "no contexto da Agência (Internacional da Energia) e da regulação vigente".

 

Ahmadinejad reclamou que a oferta de negociação de Obama teria chegado até ele por meio da imprensa e não de maneira direta, motivo pelo qual disse que sua resposta "também chegará pela imprensa".

 

Os EUA não têm relações diplomáticas com o regime dos aiatolás. Por isso, dificilmente a oferta de Obama pode ter sido feita de forma direta.

 

Além disso, Ahmadinejad se queixou pelo fato de Obama não ter respondido à carta de felicitação que enviou ao presidente americano quando este chegou à Casa Branca e de ter boicotado a Conferência Mundial sobre o Racismo da ONU.

 

Nesta conferência, realizada no último dia 20, o chefe de Estado do Irã protagonizou uma polêmica ao chamar Israel de racista.

 

Na entrevista emitida hoje pela ABC, o presidente iraniano insistiu em investir contra Israel e denunciar a excessiva sensibilidade que existe no mundo acerca do Holocausto, e disse que o Estado judeu quer se vingar deste fato com a opressão aos palestinos.

 

Ahmadinejad assegurou, no entanto, que se os palestinos chegarem a um acordo de paz com Israel, o Irã não interferirá nesta decisão.

 

"Qualquer decisão que tomarem será boa para nós, a apoiaremos. É o direito do povo palestino. Mas espero que outros Estados façam o mesmo", disse o presidente iraniano.

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