Ahmadinejad toma posse e promete resistir aos 'opressores'

Forte esquema de segurança contra protestos e ausência de líderes da oposição marcam cerimônia

05 de agosto de 2009 | 05h31

Foto: AP

 

TEERÃ - Em meio a um enorme esquema de segurança, Mahmoud Ahmadinejad tomou posse para um segundo mandato como presidente do Irã, com um apelo em defesa da unidade nacional e críticas à interferência estrangeira.  Ahmadinejad prometeu resistir aos "opressores", criticando os países ocidentais em seu discurso e defendeu os resultados das eleições que desencadearam a onda de protestos no país em junho. "Resistiremos aos países opressores e seguiremos atuando para mudar os mecanismos discriminatórios do mundo, em benefício de todas as nações".

 

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A ausência de dirigentes da oposição e os lugares vazios na cerimônia lembraram o impasse sobre a legitimidade da reeleição. A mídia oficial disse que não houve distúrbios, mas testemunhas afirmaram que pelo menos 10 pessoas foram presas por iniciar protestos no centro de Teerã durante a posse. Nesta quarta-feira, 5, centenas de policiais se perfilaram em torno do Parlamento e uma estão de metrô nas proximidades foi fechada. Grupos oposicionistas usaram a internet - incluindo endereços eletrônicos ligados ao líder Mir Hossein Mousavi - para convocar os manifestantes de volta às ruas - sinalizando a determinação de continuar a desafiar o regime.

 

Apesar do reforço policial, centenas de pessoas se reuniram nos arredores do Parlamento. As forças de segurança, apoiadas por membros da milícia pró-governo Basij, ordenaram o fechamento de todos os comércios e estabelecimentos na região para impedir que os cidadãos se refugiassem e promoveram ao menos dez prisões. Oficiais dispersaram centenas de manifestantes que gritavam "morte ao ditador" nas ruas próximas, segundo testemunhas. As autoridades proibiram a mídia de cobrir os protestos de rua, obrigando os jornalistas a se apoiar nos relatos de testemunhas.

 

O presidente do Parlamento, Ali Larijani, adversário político de Ahmadinejad e ex-negociador iraniano no conflito nuclear, deu início ao ato com um discurso após recitar versos do Corão. Porém, os lugares vazios da oposição iraniana roubaram a cena. O chefe da Assembleia de Especialistas, aiatolá Ali Akbar Hashemi Rafsanjani, e proeminentes personalidades reformistas, como o ex-presidente iraniano Mohamad Khatami, não participaram da cerimônia. Além disso, apenas o embaixador sueco, país que ocupa a presidência da UE, esteve na posse. Os demais países optaram por enviar representações diplomáticas de baixo nível, como Espanha e Itália, ou não participaram, como Holanda e França.

 

Ainda assim, Ahmadinejad manteve seu desafio ao Ocidente. Em seu discurso, o presidente minimizou a importância de que alguns países não o tenham parabenizado, como os EUA. "Ouvimos que alguns líderes ocidentais decidiram reconhecer mas não congratular o novo governo", disse ele. "Bem, ninguém no Irã está esperando por suas mensagens".

 

Ahmadinejad se concentrou na política externa, dizendo que a tornará "mais forte e com novos planos mais efetivos". Ele não mencionou diretamente as manifestações contra sua reeleição, mas disse que seu governo "resistirá a qualquer violação da lei e interferência". "Não ficaremos em silêncio, não toleraremos o desrespeito, a interferência e os insultos", afirmou.

 

"Internacionalmente, nós buscamos a paz e a segurança. Mas, porque queremos isso para toda a humanidade, somos contra a injustiça, agressão e a mão-forte de alguns países", disse. "Por Deus todo-poderoso prometo proteger o sistema da Revolução Islâmica e a Constituição; não pouparei esforços para salvaguardar as fronteiras do Irã", discursou Ahmadinejad. Num apelo à unidade, o presidente disse que os iranianos deveriam se "dar as mãos e seguir em frente" para atingir seus objetivos.

 

A oposição alega que Ahmadinejad fraudou a eleição presidencial de 12 de junho e desde então grandes protestos de rua abalaram a liderança religiosa do país. Pelo menos 30 manifestantes foram mortos durante os protestos, de acordo com as autoridades. Depois da posse, Ahmadinejad contará com um prazo de duas semanas para apresentar ao Parlamento os membros do novo gabinete.

 

Texto atualizado às 10h20.

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