Ahmadinejad vincula guerras a crise em Wall Street

Em entrevistas, líder iraniano diz que próximo presidente americano deve abandonar aspirações bélicas de Bush

REUTERS

23 de setembro de 2008 | 12h28

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse a um jornal dos EUA que a atual crise financeira se deve em parte às guerras travadas pelos EUA, e que o próximo ocupante da Casa Branca deveria abandonar as políticas belicosas de George W. Bush.  Em uma outra entrevista, dessa vez a uma emissora de rádio,Ahmadinejad - que está em Nova York para a Assembléia Geral da ONU - disse também que a AIEA (agência nuclear das Nações Unidas) oferece "a melhor garantia" de que o Irã só irá enriquecer urânio para fins pacíficos.   Veja também:  Bush pede por sanções contra Irã e Coréia do Norte na ONU Na entrevista concedida na segunda-feira ao jornal Los Angeles Times, Ahmadinejad disse: "O governo dos EUA cometeu uma série de erros nas últimas décadas. Primeiro, a imposição sobre a economia dos EUA de um pesado envolvimento militar mundo afora, a guerra do Iraque, por exemplo... São custos pesados". "A economia mundial não pode mais tolerar o déficit orçamentário e as pressões financeiras decorrentes dos mercados aqui dos Estados Unidos e do governo dos EUA", acrescentou. Tanto ao LA Times quanto à Rádio Pública Nacional, Ahmadinejad acusou os EUA de pressionarem a AIEA a investigar o programa nuclear do Irã. Ao Times, disse também que "toda a documentação foi forjada" para questionar o caráter pacífico do programa nuclear. "Na verdade, era tão engraçado e superficial, não aprofundado, que uma criança de escola poderia rir daquilo", afirmou o presidente ao jornal. Os EUA acusam o Irã de manter um programa nuclear com finalidades militares, o que Teerã nega. Nesta semana, a AIEA divulgou um relatório acusando o país de não cooperar com suas atividades de fiscalização. Grandes potências ocidentais tentam agora apresentar um quarto pacote de sanções ao Irã, mas enfrenta resistência de Rússia e China. À rádio pública, Ahmadinejad disse que os EUA deveriam oferecer à AIEA "pelo menos o equivalente a um décimo da cooperação que oferecemos". "Acreditamos que a AIEA em si oferece a melhor garantia (do caráter pacífico do programa nuclear)", acrescentou. A Rádio Pública Nacional divulgou uma transcrição da entrevista, a ser transmitida ainda na terça-feira. Em ambas as entrevistas, o dirigente iraniano acusou o governo Bush de agravar os problemas mundiais ao buscar o confronto. "Não acreditamos que a perspectiva política dos EUA, olhando para o resto do mundo como um campo para a confrontação, dará bons resultados", disse ele ao Times. "Qualquer governo (dos EUA) que chegue ao poder deve mudar suas abordagens políticas prévias", acrescentou, prontificando-se a se reunir nesta semana com os candidatos a presidente dos EUA. "Estamos interessados em ter relações amistosas." Segundo ele, mesmo durante o governo Bush houve "muitos saltos adiante" no sentido de uma reaproximação. "Eu disse até mesmo que estaria preparado para conversar com eles na ONU", afirmou. Ahmadinejad, que já previu a extinção de Israel, defendeu a realização de um referendo entre os palestinos para determinar o futuro de Israel, da Cisjordânia e da Faixa de Gaza. "Deixe-me criar uma analogia aqui: onde exatamente fica a União Soviética hoje? Ela desapareceu - mas exatamente como? Foi pelo voto de sua própria gente. Portanto, também na Palestina devemos permitir que o povo, os palestinos, determine seu próprio futuro", afirmou ele à rádio.

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