Dida Sampaio/AE
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Ahmadinejad visita aliados na Bolívia e na Venezuela

Após obter o apoio brasileiro para programa nuclear, presidente iraniano se reúne com Evo Morales nesta 3ª

estadao.com.br,

24 Novembro 2009 | 09h52

Depois de conseguir o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao programa nuclear iraniano, o líder do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, inicia nesta terça-feira, a segunda etapa de seu giro pela América do Sul. Ahmadinejad visita a Bolívia e Venezuela, seus aliados na América Latina.

 

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Em sua segunda visita à Bolívia, Ahmadinejad discutirá um plano de cooperação bilateral assinado em 2007 com o presidente boliviano, Evo Morales, para investimentos em agricultura, hidrocarbonetos e petroquímica. Além disso, durante a primeira viagem do iraniano ao país, surgiram informações não confirmadas do suposto interesse de Teerã no urânio boliviano.

 

Ahmadinejad terá um encontro reservado com Evo Morales. Está prevista ainda uma entrevista coletiva dos dois presidentes e a "assinatura de instrumentos bilaterais". O iraniano ainda entregará uma obra financiada pelo Irã na cidade de El Alto.

 

A última etapa da viagem de Ahmadinejad será a Venezuela. Segundo o chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, o presidente iraniano, chegará a Caracas para uma "intensa" visita oficial "de dois dias" que tem o objetivo de fortalecer a "sólida" relação entre os dois países. "Somos dois povos decididos a construir nosso próprio caminho de independência e de desenvolvimento", disse Maduro, durante a instalação de um encontro entre empresários de ambos os países que participarão de seis mesas de trabalho.

 

A agenda do presidente iraniano em Caracas, onde se reunirá com o governante venezuelano, Hugo Chávez, o mais firme aliado de Ahmadinejad na região, ainda não foi divulgada. Irã e Venezuela assinaram nos últimos anos cerca de 300 memorandos de entendimento, dos quais quase 80% já foram aplicados, segundo disse na semana passada em Teerã o chefe da diplomacia venezuelana, em uma viagem para preparar a visita do presidente Ahmadinejad.

 

O chanceler venezuelano destacou "o esforço do presidente Ahmadinejad para aprofundar as relações produtivas entre ambos os países" demonstrado, segundo ele, "pelos mais de 70 projetos conjuntos existentes". "Nada pode nos impedir que sigamos desenvolvendo toda a capacidade produtiva entre ambos os países", acrescentou Maduro, que citou os âmbitos energético, industrial e agrário como os principais pontos a serem tratados.

 

Apoio brasileiro

 

Em um jogo de compensações diplomáticas, o presidente Lula aproveitou a visita do presidente do Irã para dar apoio ao programa nuclear daquele país e, ao mesmo tempo, defender o direito de "um Estado de Israel seguro e soberano" com quem terão de conviver palestinos e iranianos. A estratégia serviu para exibir a tentativa de o Brasil desempenhar algum tipo de mediação no conflito do Oriente Médio.

 

Durante sua visita a Brasília, com grande repercussão internacional, Ahmadinejad - que já defendeu a eliminação do Estado de Israel - não fez nenhuma declaração polêmica, como a de negar a existência do Holocausto, e chamou Lula de "bom amigo". Em contrapartida, Lula reconheceu explicitamente o direito de o Irã levar adiante o plano de desenvolvimento de energia nuclear "para fins pacíficos".

 

A receita, segundo Lula, é esta: "Não proliferação e desarmamento nuclear devem andar juntos." O presidente aconselhou Ahmadinejad a trabalhar com os países interessados em "encontrar uma solução justa e equilibrada para a questão nuclear iraniana". Ele também fez questão de justificar a decisão de apoiar o programa nuclear do Irã. "É simples. Aquilo que defendemos para nós, defendemos para os outros", afirmou Lula, citando o Brasil como exemplo a ser seguido.

 

Ahmadinejad disse que Lula pode ser "um elo entre o Irã e a América Latina" e que seu país tem sido alvo de "falácias". O iraniano deu apoio à pretensão brasileira de assumir vaga de membro permanente do Conselho de Segurança da ONU.

 

Lula disse que "o Irã pode ter um papel decisivo não só (na busca da paz) no Oriente Médio, mas também na Ásia Central". Numa referência a práticas do regime iraniano em episódios recentes, como a reeleição de Ahmadinejad, Lula deixou claro que a política externa brasileira é regida pelo compromisso com a democracia e pelo respeito à diversidade, pela defesa dos direitos humanos, pela liberdade de escolha dos cidadãos e pelo veemente repúdio à intolerância e ao terrorismo.

 

No encontro com empresários dos dois países, Lula disse que vai ao Irã no próximo ano, em abril ou maio. Informou que levará uma caravana de empresários. "Não existem limites para ampliação de negócios entre os dois países", afirmou.

 

(Com Denise Chrispim Marin e Tânia Monteiro, de O Estado de S. Paulo)

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