AI pede que Paquistão investigue mortes de líderes políticos separatistas

ONG acusa segurança e inteligência paquistanesa de cometer assassinatos e torturas no Baluchistão

AP,

26 de outubro de 2010 | 18h23

ISLAMABAD- A organização de direitos humanos Anistia Internacional pressionou nesta terça-feira, 26, o Paquistão para investigar torturas e execuções de mais de 40 líderes políticos e ativistas na província do Baluchistão, onde o governo luta contra uma insurgência nacionalista há décadas.

 

Os assassinatos ocorreram nos últimos quatro meses em um cenário de crescente instabilidade política e de operações do Exército paquistanês na província, de acordo com a AI. O governo teria feito o uso da força por várias vezes para conter insurgentes do Baluchistão, que pedem uma divisão mais justa dos recursos naturais da região.

 

"O governo paquistanês precisa agir imediatamente para providenciar justiça à crescente lista de atrocidades no Baluchistão", disse Sam Zarifi, diretor da AI para a Ásia e o Pacífico. "Líderes políticos locais e ativistas estão claramente sendo alvo e o governo precisa fazer muito mais para acabar com essa tendência alarmante".

 

Entre as vítimas mais recentes, estão dois homens encontrados no distrito de Mastung em 21 de outubro. Os dois foram mortos com uma vala na cabeça e tinham sinais de tortura, segundo a AI. Muitos outros corpos teriam sido localizados nas mesmas condições.

 

A organização diz que muitos dos parentes das vítimas e ativistas acusaram as forças de segurança e inteligência paquistanesas pelos assassinatos.

 

Consultados pela AP, oficiais do governo negaram ter ordenado tais execuções no passado.

 

"O governo do Paquistão precisa mostrar que pode e irá investigar as Forças Armadas paquistanesas, assim como agências de inteligência, que são acusadas de terem um papel importante nesses incidentes", declarou Zafiri.

 

O Baluchistão é a província mais pobre do Paquistão, apesar da presença de vastos recursos naturais que habitantes dizem ser explorados para alimentar os cofres do governo central.

 

O país lançou ao menos cinco operações militares na província, a mais recente sob o governo do presidente Pervez Musharraf, que matou um dos principais líderes tribais locais. O Exército desocupou o Baluchistão em 2008, mas ainda há forças paramilitares federais ao longo da província.

 

O governo provincial acusa essas forças e a inteligência federal de manter cerca de mil pessoas presas ocultamente por anos, problema que organizações de direitos humanos afiram que persiste.

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