Aiatolá diz que 'mão de Deus' está no relatório nuclear dos EUA

Líder religioso iraniano reforça durante orações de sexta a união dos países do Oriente Médio e Teerã

Agências internacionais,

07 de dezembro de 2007 | 13h25

O aiatolá Mohammed Emani Kashani, responsável pelo pronunciamento do sermão das sextas-feiras que expressa a posição oficial do regime do Irã, disse nesta sexta-feira, 7, que "vê a mão de Deus" no último relatório dos Estados Unidos sobre o caso nuclear do país asiático.   Citado na agência oficial de notícias Irna, Kashani apontou que "uma mão é visível após o novo fracasso dos EUA e a revelação das mentiras dos políticos americanos contra as atividades nucleares pacíficas do Irã. Essa é a mão de Deus". O clérigo se referia ao relatório da agência de inteligência americana publicado na última segunda-feira e que indicava que a República Islâmica interrompeu desde 2003 seu programa atômico militar.   O novo documento contradiz as afirmações feitas em 2005 pelo governo dos EUA, nas quais se assegurava que Teerã estava construindo armas nucleares. Kashani acrescentou que a Administração do presidente George W. Bush disse mentiras contra o Irã que afinal saíram à luz.   Por outro lado, o aiatolá fez uma chamada para a eliminação de possíveis "brechas" existentes entre o Irã e outros países muçulmanos para evitar que seus inimigos se aproveitem delas.   Conhecimento de Bush   O presidente americano, George W. Bush, foi alertado em agosto de que o Irã "podia ter suspendido" seu programa de armas nucleares, informou ontem a Casa Branca. Na terça-feira, Bush afirmou que recebeu o novo relatório de inteligência somente na semana passada e disse que o diretor de Inteligência Nacional, Mike McConnel, lhe adiantara em agosto que havia uma nova informação sobre o Irã, mas não dera detalhes.   Segundo a porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, McConnel disse a Bush em agosto que novas informações poderiam levar os funcionários de inteligência a mudar suas conclusões sobre o programa nuclear iraniano. Ela afirmou que não há nenhum conflito entre suas declarações e as de Bush, pois "o presidente não havia recebido detalhes específicos sobre o novo relatório".   Segundo Dana Perino, não há necessidade de Bush voltar atrás em nenhuma de suas declarações após o encontro de agosto, pois McConnel destacou ao presidente que os funcionários de inteligência precisavam analisar os novos dados com maior precaução para garantir que as informações fossem corretas. Uma das principais justificativas para a invasão do Iraque, em 2003, foi a informação de que o país possuía armas de destruição em massa. No entanto, as armas nunca foram encontradas.

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