Aiatolá iraniano rejeita oferta de diálogo direto com EUA

A mais alta autoridade do Irã, aiatolá Ali Khamenei, recusou nesta quinta-feira a oferta de negociações diretas feita pelo vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, esta semana, dizendo que não resolveria o problema entre os dois países.

MARCUS GEORGE, Reuters

07 de fevereiro de 2013 | 13h32

"Algumas pessoas ingênuas gostam da ideia de negociar com a América, no entanto, as negociações não vão resolver o problema", disse Khamenei em um discurso a funcionários e membros da Força Aérea do Irã, divulgado em seu site oficial.

"Se algumas pessoas querem que o regime americano seja estabelecido novamente no Irã, a nação se levantará para encará-las", disse ele. "A política americana no Oriente Médio foi destruída e os americanos agora precisam baixar uma nova carta. Essa carta é arrastar o Irã para negociações."

Khamenei fez seus comentários poucos dias depois de Biden dizer que os Estados Unidos estavam preparados para se encontrarem com a liderança iraniana em uma reunião bilateral. "Essa oferta se mantém, mas tem de ser real e tangível", disse Biden em um discurso em Munique.

Com sua tradicional retórica inflamada, Khamenei criticou a oferta de Biden, dizendo que desde a revolução de 1979 os Estados Unidos insultam gravemente o Irã e continuam a fazê-lo com a sua ameaça de ação militar contra o país.

"Vocês pegam em armas contra a nação do Irã e dizem: 'Negociem ou nós atiramos'. Mas vocês deveriam saber que pressão e negociação não são compatíveis e nossa nação não vai se intimidar com essas ações", acrescentou o aiatolá.

As relações entre o Irã e os Estados Unidos foram cortadas em 1979, após a queda da monarquia pró-ocidental do Irã. Encontros diplomáticos entre os dois países são muito raros.

Atualmente, o contato entre os EUA e o Irã se limita a conversações entre o governo iraniano e o chamado P5+1 (grupo de potências) sobre o polêmico programa nuclear do Irã. Esse diálogo deve ser retomado em 26 de fevereiro, no Cazaquistão.

O vice-primeiro-ministro de Israel, Dan Meridor, disse estar cético quanto à possibilidade de que as negociações em Almaty possam produzir resultados. Ele declarou à Rádio Israel que os Estados Unidos precisam demonstrar ao Irã que "todas as opções estão ainda sobre a mesa".

Israel, amplamente reconhecido como a única potência nuclear no Oriente Médio, advertiu que poderia desfechar um ataque preventivo contra instalações atômicas iranianas. Israel vê a sua existência como diretamente ameaçada pela perspectiva de um Irã com armas nucleares, dada a recusa de Teerã de reconhecer a existência do Estado judeu.

(Reportagem adicional de Dan Williams)

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