AIEA investiga acusação dos EUA sobre reator nuclear da Síria

A Agência Internacional de EnergiaAtômica (AIEA, um órgão da ONU) anunciou na sexta-feira que vaiinvestigar as acusações norte-americanas de que a Coréia doNorte teria ajudado a Síria a construir um reator secreto,supostamente destruído em setembro por Israel. Damasco nega a acusação e acusa Washington de envolvimentono bombardeio israelense contra seu território. "A agência vai tratar a informação com a seriedade quemerece e vai investigar a veracidade da informação", disse odiretor da AIEA, Mohamed El Baradei. Ele confirmou ter recebido as informações do governonorte-americano, transmitidas também em detalhes nesta semana acongressistas dos EUA. A Casa Branca diz que o reator, casotivesse sido concluído, poderia produzir plutônio, materialpassível de uso em armas nucleares. "Segundo esta informação, o reator ainda não estavaoperacional e nenhum material nuclear foi introduzido nele",afirmou El Baradei em nota, acrescentando que a Síria estavaobrigada por um tratado a notificar a AIEA sobre eventuaisplanos e obras de um reator nuclear. O governo sírio divulgou uma nota em que diz, sem entrar emdetalhes, que "o governo dos EUA foi aparentemente parte daexecução" do bombardeio israelense de setembro. "O governo sírio lamenta a campanha de mentiras efalsificações por parte do governo dos EUA contra a Síria,incluindo as acusações de atividade nuclear", disse a nota,transmitida pela agência oficial síria de notícias. Na quinta-feira, uma fonte oficial dos EUA disse sobanonimato que Washington não deu nenhum "sinal verde" a Israelpara atacar. Acredita-se que Israel tenha o único arsenalnuclear do Oriente Médio, na usina de Dimona, que não estáaberta a inspeções internacionais. El Baradei disse "deplorar o fato" de que os EUA nãoentregaram essas informações "no prazo oportuno, para quepudéssemos verificar sua veracidade e estabelecer os fatos". Asobras do reator teriam sido iniciadas em 2001. "À luz disso, vejo o uso unilateral da força por parte deIsrael vindo em prejuízo do devido processo de verificação queestá no coração do regime de não-proliferação", acrescentou oegípcio. A divulgação dessas informações pela Casa Brancaaparentemente é uma forma de pressionar a Coréia do Norte, quetinha até o final de 2007 para entregar um inventário completode suas atividades nucleares -- inclusive a suspeita detransferir tecnologia atômica a terceiros. O inventário não foientregue. Em troca dele, segundo um acordo multilateral para odesarmamento nuclear norte-coreano, Pyongyang receberiabenefícios políticos e econômicos. O regime comunistanorte-coreano já testou um dispositivo nuclear em outubro de2006. (Reportagem adicional de Khaled Yacoub Oweis, em Damasco, eJack Kim, em Seul)

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