AIEA questiona aspecto militar de programa nuclear do Irã

Em relatório, Agência da ONU diz que país reduziu atividade atômica, mas que objetivo do projeto é incerto

28 de agosto de 2009 | 14h18

Em um relatório divulgado nesta sexta-feira, 28, a Agência Internacional de Energia Atômica da ONU (AIEA) pressionou o Irã a responder a questões sobre as "possíveis dimensões militares" de seu programa nuclear. A organização afirmou que o Irã diminuiu o ritmo de produção de urânio enriquecido pela primeira vez em anos, mas o objetivo final de seus esforços atômicos continua sendo uma incógnita.

 

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Segundo o documento, o Irã precisa esclarecer seu enriquecimento de urânio e outras atividades - e assegurar o mundo de que não tenta construir uma bomba atômica. O relatório é publicado depois de informações de que os EUA pretendiam usar o documento para justificar novas sanções ao país, com o objetivo de tentar convencer Israel a congelar todos os assentamentos e aceitar voltar às negociações de paz.

 

A AIEA, sediada em Viena, demonstra particular interesse por um suposto estrangeiro não identificado especialista em explosivos no país. A agência sustenta que pressionou o Irã sobre seu programa, mas Teerã retarda a questão, enfocando ao invés disso "o estilo e a forma...e fornecendo respostas limitadas e simples negativas". O governo iraniano insiste que seu programa nuclear tem apenas fins pacíficos, como a produção de energia. Países com Estados Unidos e Israel, porém, acusam o país de buscar armas.

 

O relatório indica que desde junho o número de centrífugas de gás ativas que produzem urânio enriquecido diminuiu em 328 unidades. "É a primeira vez que vemos uma redução", afirmou um alto oficial da AIEA sob a condição de anonimato. Apesar de o número de máquinas em funcionamento ter descido, o Irã continuou instalando novas centrífugas, até somar 8.308, quase mil a mais das que tinha em junho.

 

No total, o programa nuclear iraniano foi capaz de processar até o momento mais de 1.500 quilos de urânio enriquecido de baixa pureza, que não pode servir de combustível a uma arma nuclear. A AIEA, porém, não quis interpretar em nenhum sentido essa detenção brusca no ritmo das experiências atômicas iranianas.

 

O organismo atômico das Nações Unidas deixou claro é que a natureza do programa nuclear iraniano segue sem estar clara. "Há uma série de assuntos pendentes que levantam a preocupação e que precisam ser esclarecidos para descartar a existência de uma possível dimensão no programa nuclear iraniano", indica o relatório.

 

O documento defende que o Irã deve aumentar seu grau de cooperação "para esclarecer e dar por encerradas questões" relacionadas, sobretudo, com experimentos e documentação em poder iraniano e que podem ter uma vinculação militar.

 

O relatório lembrou a importância de que Teerã aplique o Protocolo Adicional, um acordo que amplia as possibilidades da Agência de inspecionar instalações iranianas, para que "a AIEA esteja em posição de fornecer segurança sobre a ausência de materiais ou atividades não declaradas no Irã".

 

A AIEA reconheceu que o Irã continuou permitindo inspeções às instalações nucleares de Natanz e Arak, onde o organismo dispõe de câmeras de vigilância e outros mecanismos de controle. As fontes do organismo consultadas pela Efe disseram que não é possível saber se essa atitude "é uma nova forma de tratar" com a AIEA.

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