AIEA renova pressão contra o Irã após denúncia de 'terrorismo'

A agência nuclear da ONU pressionou na terça-feira o Irã a esclarecer as suspeitas que pesam sobre o seu programa nuclear, e evitou mencionar a acusação feita por Teerã de que "terroristas" estariam infiltrados na organização.

FREDRIK DAHL, Reuters

18 de setembro de 2012 | 10h09

A Agência Internacional de Energia Nuclear (AIEA, um órgão da ONU) divulgou nota comentando a reunião de segunda-feira entre o seu diretor-geral, Yukiya Amano, e o chefe de energia nuclear do Irã, Fereydoun Abbasi-Davani, realizada horas depois de o iraniano criticar duramente a agência em seu discurso à assembleia anual da instituição.

Amano disse que é crucial a cooperação do Irã com os inspetores da agência a fim de esclarecer as suspeitas de que o país tenta desenvolver armas nucleares, algo que Teerã sempre nega, insistindo que seu objetivo é gerar energia para fins civis.

A AIEA negocia desde janeiro, sem sucesso, a retomada da sua investigação sobre o programa nuclear iraniano. Diplomatas ocidentais dizem que uma nova rodada de discussões deve acontecer em outubro.

Essa negociação acontece paralelamente a uma iniciativa diplomática de seis potências mundiais --incluindo EUA, Rússia e China-- para buscar uma solução negociada que dê fim à disputa, evitando a ameaça de uma nova guerra no Oriente Médio.

Num sinal da crescente desconfiança entre o Irã e a AIEA, Abbasi-Davani acusou em seu discurso a agência da ONU de ter uma "abordagem cínica" e de ser mal administrada.

Ele disse que linhas de transmissão elétrica que abasteciam a instalação subterrânea de enriquecimento nuclear em Fordow foram explodidas há um mês, e que no dia seguinte um inspetor da AIEA solicitou uma visita não-anunciada ao local.

Para Abbasi-Davani, "terroristas e sabotadores podem ter se infiltrado" na agência.

Ele não apontou suspeitos pela suposta sabotagem, mas o Irã frequentemente acusa Israel e governos ocidentais de tentarem prejudicar suas atividades nucleares.

Diplomatas ocidentais reservadamente minimizaram as acusações iranianas à AIEA, vendo nelas uma tentativa de desviar as atenções da obstrução iraniana ao trabalho da agência.

"Cada vez mais encurralados, eles estão atirando a esmo", disse o especialista em não-proliferação nuclear Mark Fitzpatrick, do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos.

A usina de Fordow preocupa o Ocidente porque produz urânio com 20 por cento de pureza físsil, mais do que é necessário para usinas nucleares, e a apenas um pequeno passo em termos técnicos para chegar à pureza de 90 por cento que seria necessária para o uso em armas.

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