AIEA tem 'sérias preocupações' com atividade nuclear do Irã

O Irã triplicou sua produção mensal de enriquecimento de urânio de grau elevado e a agência nuclear da Organização das Nações Unidas tem "sérias preocupações" com as possíveis dimensões militares às atividades atômicas de Teerã, disse o chefe da agência nesta segunda-feira.

FREDRIK DAHL, REUTERS

05 de março de 2012 | 12h56

Yukiya Amano, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), falou ainda ao conselho diretor de 35 países do órgão sobre a falta de progresso em duas rodadas de negociações entre a AIEA e Teerã este ano.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, devem se encontrar em Washington para discutir sobre o Irã, profundamente em desacordo sobre o momento para uma possível ação militar de último caso contra o programa nuclear iraniano.

Embora Obama tenha dado garantias da determinação firme norte-americana contra o Irã antes do encontro na Casa Branca, os dois aliados ainda estão muito distantes no que diz respeito às "linhas vermelhas" nucleares explícitas que Teerã não poderá cruzar.

O Irã nega as acusações de que está acobertando a busca por capacidade de produzir armas nucleares, em parte por meio da coordenação dos esforços para processar urânio, teste de altos explosivos e renovação de um cone de míssil balístico para acomodar uma ogiva nuclear.

Mas sua recusa em reduzir o trabalho atômico que pode ter aplicações tanto civis quanto militares atraiu sanções cada vez mais severas da ONU e de países ocidentais contra o produtor de petróleo.

Durante reuniões na capital iraniana em janeiro e fevereiro, autoridades do Irã dificultaram os pedidos da AIEA por acesso a um local militar visto como central para a investigação sobre a natureza da atividade nuclear da nação islâmica.

"A agência continua tendo sérias preocupações sobre as possíveis dimensões militares do programa nuclear de Teerã", disse Amano em uma reunião de portas fechadas, de acordo com uma cópia de seu discurso.

A AIEA "é incapaz de dar uma garantia crível sobre a ausência de material e atividade nucleares não declarados no Irã, e, portanto, concluir que todo o material nuclear no Irã é para atividades pacíficas", acrescentou ele.

Um relatório da agência para países-membros no mês passado apontou que o Irã estava significativamente aumentando o enriquecimento de urânio, uma descoberta que impulsionou os preços do petróleo devido aos temores de que as tensões entre Teerã e o Ocidente possam se transformar em um conflito militar.

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