AIEA vai inspecionar usina iraniana de Qom em 25 de outubro

Especialistas da ONU vão inspecionar em 25 de outubro a usina de enriquecimento de urânio cuja existência o Irã revelou recentemente, disse no domingo o chefe da agência nuclear AIEA, assinalando sua aprovação da mudança no modo de Teerã tratar com o Ocidente, que teria passado de "conspiração para cooperação".

PARISA HAFEZI, REUTERS

04 de outubro de 2009 | 10h32

A usina subterrânea de enriquecimento de combustível nuclear situada nas proximidades da cidade sagrada xiita de Qom vinha sendo mantida em segredo até o Irã revelar sua existência, no mês passado, desencadeando um furor internacional.

Em Genebra, na quinta-feira, o Irã concordou, em acordo fechado com seis potências mundiais --Estados Unidos, Rússia, China, Grã-Bretanha, França e Alemanha--, em dar aos inspetores da AIEA acesso irrestrito à usina na região central do Irã.

"Inspetores da AIEA vão visitar em 25 de outubro a nova usina de enriquecimento iraniana que está sendo construída em Qom", disse o chefe da Agência Internacional de Energia Atômica, Mohammed ElBaradei, em coletiva de imprensa dada em conjunto com o chefe do setor nuclear iraniano, Ali Akbar Salehi.

O Ocidente suspeita que o Estado islâmico esteja buscando desenvolver armas nucleares às escondidas. O Irã insiste que precisa da tecnologia nuclear para gerar energia para satisfazer sua demanda interna crescente.

ElBaradei disse que a AIEA e o Irã discordaram em relação ao momento escolhido para revelar a existência da usina piloto de enriquecimento de urânio.

"O Irã deveria ter informado a AIEA no dia em que decidiu erguer a usina", disse ele, aludindo a um estatuto de transparência da AIEA que foi reforçado em 1992 para exigir a notificação imediata de planos de construção de instalações nucleares.

Até então, cada país era obrigado a informar a AIEA sobre novas instalações apenas seis meses antes de introduzir materiais nucleares nelas.

Mas Salehi rejeitou a crítica, dizendo: "Desde a entrada injusta do Conselho de Segurança da ONU no dossiê nuclear do Irã, revertemos ao arranjo antigo, em protesto contra as sanções da ONU".

Ele disse que vai discutir detalhes da usina com a AIEA em Viena em 19 de outubro.

O Irã disse que a usina, que tem lugar para 3.000 centrífugas, terá condições de entrar em produção dentro de 18 meses.

A expectativa é que depois da reunião de quinta-feira, em Genebra, o Irã possa ser poupado da imposição de sanções mais duras da ONU.

De acordo com o jornal Abrar, o negociador nuclear chefe do Irã, Saeed Jalili, disse que o resultado das conversações em Genebra, na última semana, foi "um acordo em relação à maneira de levar adiante as conversações com as seis potências".

ElBaradei disse que as diferenças remanescentes poderão ser resolvidas pela diplomacia. "A relação entre o Irã e as potências mundiais está mudando da conspiração para a transparência e a cooperação", disse ele.

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