AIEA vai verificar alegações sobre instalação atômica do Irã

O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) -- o órgão de supervisão nuclear da ONU --, Yukiya Amano, disse nesta segunda-feira que sua organização está investigando o relato feito por um grupo iraniano dissidente que afirma ter evidências da existência de um novo e secreto local subterrâneo de enriquecimento de urânio no Irã.

REUTERS

13 de setembro de 2010 | 12h02

Amano deu a entender que a organização não possui informações completas sobre a extensão do programa nuclear iraniano. Ele exortou o governo iraniano a implementar as normas da AIEA, que o obrigam a notificar a agência antes de iniciar a construção de qualquer instalação nuclear.

"Tomamos conhecimento dessas informações (de dissidentes iranianos) por meio da mídia e estamos avaliando as informações. Mas, neste momento, não temos nada mais a dividir com vocês", disse Amano em coletiva de imprensa em Viena.

Ele afirmou que a AEIA não recebeu informações prévias do grupo dissidente.

Dissidentes iranianos exilados disseram na semana passada que a informação chegou de uma rede de fontes no interior do Irã ligadas ao grupo oposicionista exilado Conselho Nacional de Resistência do Irã (CNRI) e à Organização Mujahedine do Povo do Irã (MPOI), um movimento guerrilheiro que se opõe ao governo da República Islâmica.

Segundo a informação, o local seria destinado ao refino de urânio, ficaria sob uma montanha nas proximidades de Qazvin, cerca de 120 quilômetros a oeste de Teerã, e estaria 85 por cento pronto.

Autoridades dos EUA disseram na quinta-feira que têm conhecimento dessa instalação há anos e não há razões para acreditar que seja nuclear.

O Irã negou as acusações dos dissidentes.

Embora o CNRI tenha em 2002 divulgado a instalação de enriquecimento de urânio de Natanz, no Irã, e uma instalação de água pesada em Arak, analistas dizem que a organização possui histórico ambíguo e uma agenda política inequívoca.

(Reportagem de Fredrik Dahl e Sylvia Westall)

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