Al-Maliki visita o Irã e pede ajuda no combate à violência

É a segunda visita do premiê em menos de um ano, após especialistas em segurança se reunirem em Bagdá

Associated Press e Reuters,

08 de agosto de 2007 | 07h24

O primeiro-ministro do Iraque, Nouri al-Maliki, desembarcou nesta quarta-feira, 8, no Irã em busca de ajuda do aliado e vizinho para conter a violência em sua país.   Trata-se da segunda visita oficial de Maliki a Teerã em menos de um ano. A viagem ocorre dias depois de especialistas em segurança do Irã e dos Estados Unidos terem participado de um encontro em Bagdá com o objetivo de melhorar a segurança no Iraque.   Maliki e os partidos xiitas e curdos predominantes em seu governo têm boas relações com o Irã, mas o primeiro-ministro precisa equilibrar bons contatos com os Estados Unidos, que apóiam seu governo, mas acusam o Irã de insuflar militantes xiitas no Iraque. Teerã nega a acusação.   Maliki tenta distanciar-se das acusações americanas ao Irã. No mês passado, um de seus ministros limitou-se a comentar que Bagdá "não descarta a hipótese" de Teerã financiar milicianos xiitas.   Antes da chegada, o porta-voz da Maliki havia declarado que a segurança seria "uma prioridade" no Irã, que se tornou uma importante peça política no Iraque após a invasão norte-americana de 2003.   O governo iraquiano liderado pelos xiitas está sob pressão para fechar um acordo de compartilhamento de poder com os outros setores do país antes da divulgação de relatório, em setembro, dos militares dos EUA sobre a estratégia norte-americana no Iraque.   Os EUA acusam o Irã de fomentar a violência no Iraque, enquanto Teerã nega as acusações e culpa as tropas norte-americanas pelo derramamento de sangue. Autoridades iraquianas já pediram para os dois países não acertarem suas diferenças em solo iraquiano.   De acordo com analistas, tanto Teerã como Washington têm interesse em ajudar o governo de Maliki a restaurar a calma. O Irã, xiita, deseja um vizinho estável com um governo xiita no poder, que possa ser amigável a ele. Por seu lado, Washington sabe que um Iraque mais seguro ajudará a acelerar a retirada de tropas dos EUA do país.   Enquanto isso, durante uma reunião internacional em Damasco sobre a situação no país árabe, o vice-primeiro-ministro iraquiano Labib Abbawi pediu aos vizinhos do Iraque que ofereçam apoio genuíno a Bagdá e manifestou a esperança de que a reunião proporcione resultados reais ao invés de promessas não cumpridas.   Entretanto, potências regionais como a sunita Arábia Saudita não participaram da primeira reunião do recém-criado Comitê de Segurança para Coordenação e Cooperação com o Iraque, lançando dúvidas sobre a possibilidade de sucesso do encontro.

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